quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

6 - Temas

 


                                    TEMAS


                                      Amor    

O amor tem muitas definições e se pedirmos a outras pessoas para o definirem, teremos uma grande variedade de respostas. Talvez isso se deva ao fato do amor ser uma emoção tão individual, que pode ser expressado de várias maneiras. O amor é algo que todos nós procuramos, de uma forma ou de outra, e mesmo assim, ele parece nos frustrar constantemente, até que achamos o amor dentro de nós.

Muitas pessoas cometem o erro de desejar o amor, embora não consigam doar amor. Algumas pessoas estão convencidas de que se receberem amor suficiente, todos os problemas serão resolvidos e serão felizes. O que estamos fazendo é transferir para outros a responsabilidade pela nossa infelicidade. Precisamos que nos amem porque não sabemos amar a nós mesmos. Se não somos felizes, acreditamos que o motivo é o amor que nos foi negado. Podemos até mesmo ter ressentimento daqueles que pensamos estarem nos negando amor.

Em nossa frustração, podemos tentar manipular as pessoas, tentando agradá-las, para que elas nos amem. Podemos tentar fazer com que elas dependam de nós. Estamos dispostos a fazer qualquer coisa para sermos amados.

O amor não pode ser forçado, comprado ou manipulado. Ele deve ser incondicional. Às vezes, nossas tentativas para forçar o amor, falham; outras vezes, somos bem-sucedidos. Em ambos os casos o resultado é o mesmo: a felicidade que esperamos sentir não é encontrada.

Um momento decisivo em nossas vidas pode chegar com Emocionais Anônimos. Somos recebidos por pessoas que seguem os Conceitos do Programa sem discussões, críticas ou julgamentos. Nessas reuniões, muitos podem até nos demonstrar amor quando estamos incapacitados de amar a nós mesmos. Quando não nos sentimos amados por muitos anos, talvez por nossa vida inteira, receber esse amor incondicional pode nos parecer muito estranho. No começo, podemos ficar assustados com esse amor e ter medo de aceitá-lo. À medida que as semanas passam, é comum sentirmos a afinidade, a amizade e a fraternidade do grupo. Vemos que Emocionais Anônimos é um lugar aonde não apenas somos bem-vindos, mas também aonde somos aceitos e amados. Nossa autoestima começa a crescer e aprendemos a aceitar dos outros o amor verdadeiro e expressá-lo a outros.

Quando começamos a praticar os Doze Passos do Programa, entendemos e aceitamos melhor a nós mesmos. Compreendemos que é aceitável ser “impotente perante as nossas emoções”. Olhamos para nós honestamente e começamos a mudar nossos pensamentos e comportamentos. Descobrimos uma maneira de cuidar dos nossos erros e perdoar a nós mesmos e aos outros por ações passadas. Trabalhar os Doze Passos nos ajuda a começarmos a amar a nós mesmos. À medida que nos amamos, com todas as nossas faltas e imperfeições, começamos a amar aos outros de verdade.

O amor parece ter a qualidade de um bumerangue: quanto mais o damos, mais volta para nós. Descobrimos que, se demonstrarmos amor pelos outros, se procurarmos no amor tudo que é cordial, generoso e que vale à pena, então esse amor nos será devolvido. Compreendemos que todos nós precisamos de amor para viver uma vida satisfatória e feliz.

Quando praticamos os Doze Passos, que nos ajudam a desenvolver nossa consciência de um Poder Superior, começamos a ver que o Amor Espiritual é sempre incondicional. Ele não nos é negado nos dias que estamos deprimidos ou irritados e não nos é negado por falharmos em uma tarefa. Descobrimos que nosso Poder Superior nos aceita e nos ama simplesmente como somos.

À medida que a percepção que temos sobre o amor cresce, nossa visão total da vida muda. Existe um significado maior no "Só Por Hoje", que diz: "a felicidade não depende do que os outros façam ou digam. A felicidade resulta de estar em paz comigo mesmo (a)". Viemos a entender que somente nós mesmos somos responsáveis pela nossa felicidade. Quando aprendemos a amar a nós mesmos e a outros, o verdadeiro amor que estávamos procurando, chegará naturalmente, um dia de cada vez.

                                        AMOR É:


  • compartilhar
  • respeitar as outras pessoas
  • importar-se com as necessidades dos outros
  • dar aos outros o espaço para crescer
  • ajudar quando for preciso
  • aceitar as diferenças nos outros; sentir a dor dos outros, assim como a sua alegria
  • desapegar-se
  • procurar o lado bom, dar a nós mesmos a oportunidade de crescermos
  • ficar a vontade com os outros sem ter que proteger nosso ego ou ficar na defensiva
  • tratar a nós mesmos com brandura
  • reconhecer que existe um Poder Superior que pode nos ajudar
  • continuar a praticar o Programa de EA

                               ANSIEDADE


Os sintomas da ansiedade vêm de um vago sentimento de inquietação e tensão na boca do estômago, um coração batendo acelerado, noites de insônia ou um senso de opressão por esforço mental que parece quase impossível suportar. É algo próximo da preocupação e do medo e tem sua raiz neles. Os agentes que podem produzir a ansiedade incluem preocupação, medo, stress, culpa, fracasso, baixa autoestima, raiva, trauma, perfeccionismo, frustração, interações familiares, finanças e incompetência social (timidez, etc). A ansiedade aparece frequentemente sem uma razão aparente.
Embora a maioria das pessoas sinta várias vezes algum tipo de ansiedade (um exemplo seria falar em uma audiência) ela não é tão longa ou forte a ponto de privar esta pessoa de ter uma vida razoavelmente normal. Entretanto, alguns de nós experimentamos uma ansiedade severa o suficiente para interferir consideravelmente em nossa vida diária. Existem situações que não aborrecem algumas pessoas, mas podem produzir grande ansiedade em outras.
A ansiedade pode se iniciar em qualquer idade, inclusive na infância. Os sentimentos de ansiedade podem se estender por um longo período ou durar algumas horas e diminuir ou podem resultar em breves ataques de pânico agudo. A maioria de nós, com problema de ansiedade perturbadora descobre que só a nossa força de vontade é insuficiente para lidar construtivamente com nossas ansiedades. Constatamos que admitir isso para nós mesmos e submetermos o controle de nossas vidas a um Poder Superior é essencial para iniciarmos um processo de recuperação. “O Emocionais Anônimos é encorajador de todas as ações positivas que os membros adotam para reconquistar e manter sua saúde mental e emocional. Nós não desencorajamos consultas psiquiátricas, uso de medicamentos ou semelhantes”.
Pertencer a um grupo como o de Emocionais Anônimos, pode ser uma parte importante da recuperação. Os membros de Emocionais Anônimos estão passando ou passarão por problemas similares e eles nos aceitam como somos sem nos julgar ou criticar. O apoio emocional, honesto, de nosso grupo de Emocionais Anônimos é uma grande ajuda. É um alívio saber que “não estamos sós”.

Quando as ferramentas de Emocionais Anônimos, para recuperação: Passos, Tradições, Promessas, Só Por Hoje, Conceitos Úteis e Lemas, nos são apresentadas, começamos a reconhecer a importância de “trabalhar o programa” usando estas ferramentas. Lemas como “Renda-se – entregue-se a Deus”, ”Um dia de cada vez” e “Isto também passará”, podem ser especialmente úteis ao lidarmos com a ansiedade. Começamos a compreender que não precisamos mais controlar o mundo, os membros de nossa família e os amigos. A única pessoa que temos que controlar somos nós mesmos, e só podemos fazer isso com a ajuda de nosso Poder Superior. Viver “Um dia de cada vez” reduz nossa preocupação que reduz nossa ansiedade. Muitos acham que aumentar a atividade física, também é benéfico.
Lidar com o stress é uma outra parte importante para a recuperação da ansiedade. Neste caso, a Oração da Serenidade é um guia comprovado. Ela nos sugere reduzir o estresse externo quando pudermos e aprender a aceitar e viver com o stress que não podemos mudar e sermos suficientemente sábios para reconhecer a diferença.
Frequentemente, pessoas com problemas de ansiedade passam por períodos de depressão. Embora de alguma forma os sintomas de ansiedade e depressão sejam diferentes, a raiz deles geralmente é a mesma. Repetidos ataques de pânico podem resultar em medo de futuros ataques que, por sua vez, pode causar sintomas de agorafobia (crise de pânico) tal qual o medo de multidão, tráfego ou novas situações, que com o tempo, podem levar à depressão. Considerando que a maioria de nós não desenvolve problemas de ansiedade de um minuto para o outro, devemos lembrar também que a recuperação destes problemas provavelmente levará algum tempo. Pensamentos negativos nos mantém prisioneiros, enquanto que, trabalhar o Programa de Emocionais Anônimos nos ajuda a desenvolver mudanças positivas de atitude. Quando nos recuperamos, começamos a ver as Promessas de Emocionais Anônimos tornarem-se realidade em nossas vidas.
Trabalhar os Passos e frequentar as reuniões de Emocionais Anônimos, tem sido a solução para os que sofrem ou ainda para os que possam sofrer com problemas de ansiedade.
“Funciona Quando Você Faz Sua Parte”.


                                   AUTO-ESTIMA


Quando começamos a frequentar as reuniões de Emocionais Anônimos, uma das coisas que muitos de nós temos em comum é a baixa autoestima. Talvez não o percebamos, porque os nossos sintomas (depressão, medo, raiva etc.) mascaram os nossos sentimentos de inadequação.
Sentimo-nos incapazes de alcançar alguns níveis impossíveis, estabelecidos por nós mesmos. Somos vítimas dos "deveria". O problema com os "deveria" é que eles se tornam verdadeiras armas na nossa guerra contra nós mesmos.

"Eu deveria ser capaz de enfrentar qualquer coisa".
"Eu nunca deveria fazer coisas erradas".
"Eu deveria ser sempre o melhor em tudo que tento realizar".
"Eu deveria ter respostas para tudo".
"Eu deveria ser capaz de fazer felizes todos ao meu redor".
"Eu deveria dizer ou fazer sempre a coisa certa".


Quando não conseguimos realizar todas essas expectativas impossíveis, vamos mais uma vez procurar provar, a nós mesmos, como valemos pouco ou como não merecemos ser felizes.
Podemos nos esconder atrás de pílulas, comida, álcool, dinheiro, sexo, trabalho, sono para evitar a dor de olhar para nós mesmos. Podemos usar fachada para que não descubram a terrível verdade sobre quem realmente somos. Isso nos mantém num estado de constante tensão, temendo que os outros possam ver através de nós. Tememos que, descobrindo quem somos, nos desprezem, como nós mesmos nos desprezamos.
Como defesa contra os nossos sentimentos de inadequação e por não conseguirmos aceitar nossas próprias imperfeições, podemos procurar imperfeições nos outros para, de algum modo, podermos nos sentir superiores. Aqueles que são próximos podem se sentir como se estivessem sendo constantemente julgados e considerados em falta. Essa nossa procura por faltas pode nos levar a relacionamentos desgastantes.

A nossa ideia de auto aceitação foi sempre condicional: quando controlo minhas emoções, ganho mais dinheiro, emagreço ou engordo, quando tal pessoa me ama, então sou aceitável. Porém, mesmo quando temos sucesso em uma determinada área, sempre descobrimos outras áreas em nossas vidas nas quais nos sentimos deficientes.
Quando descobrimos que somos aceitos e compreendidos pelos companheiros em Emocionais Anônimos, passamos a nos aceitar e sermos honestos conosco mesmos e com as outras pessoas, possivelmente pela primeira vez em nossas vidas. Deixamos de nos sentir diferentes ou sozinhos, aprendemos que somos aceitos e amados pelo nosso Poder Superior e pelas outras pessoas, não apenas quando somos perfeitos, mas, sim, por sermos quem somos. A chave para melhorarmos a nossa autoestima é nos aceitarmos como somos HOJE.
É um paradoxo, porém nos tornamos livres para crescermos e nos modificarmos quando aceitamos como somos agora. Se continuarmos a nos considerar sem valor, teremos uma desculpa para não nos modificarmos. Porém, quando descobrimos que temos valor do jeito que somos, ficamos livres para procurarmos o que há de bom em nós e nas outras pessoas e para chegarmos a ser a pessoa que sempre pensamos que "deveríamos" ser. Podemos assumir a responsabilidade por nós mesmos e aceitar nossos erros como sendo parte da nossa humanidade. Já não sentimos a necessidade de julgar os outros com base nos rígidos padrões que nos impúnhamos. Nossos relacionamentos então, melhoram.
O Programa de Emocionais Anônimos nos diz que temos escolhas sobre os conceitos que fazemos de nós mesmos. Durante anos, acreditamos em todos os pensamentos negativos que tínhamos sobre a nossa autoestima. Agora podemos começar a fazer reparações a nós mesmos, começando por nos conscientizarmos das nossas boas qualidades.
Perdoamo-nos por nossos próprios erros, fazemos reparações quando necessárias e nos permitimos ser seres humanos imperfeitos. Com a ajuda do nosso Poder Superior e do Programa de Doze Passos de EA, aprendemos a tratar a nós mesmos com brandura.


                                     DEPRESSÃO


Só de ler ou escutar a palavra depressão, já ficamos ansiosos. Ela pode trazer à tona memórias temerosas de uma condição do passado que não desejamos repetir. Mas essa não é uma razão para evitarmos fazer algo sobre a nossa depressão.

O QUE É DEPRESSÃO?

Depressão tem sido definida como um sentimento de pesar por nós mesmos (auto piedade), raiva congelada, desamparo ou um mecanismo de defesa para esconder um conflito. Ela afeta todo o corpo, incluindo o humor, os pensamentos e comportamentos. A depressão causa uma inabilidade em responder a determinados estímulos ou a todos eles. Ela afeta o modo como comemos e dormimos, como nos sentimos a respeito de nós mesmos e o que pensamos sobre as coisas. Ela também afeta o nosso desempenho no trabalho e como lidamos com as pressões diárias de nossas vidas.
Podemos nos sentir continuamente tristes, e chorar muitas vezes, porém sem saber o porquê. A depressão causa a perda de nosso senso de humor e de nosso interesse sexual. Podemos nos tomar incapazes de nos divertirmos, de tomar decisões, de nos concentrarmos ou de lembrarmos de coisas. Podemos nos sentir ansiosos, irritados, apáticos, vazios por dentro, culpados, impotentes, desesperançados e com nosso senso crítico prejudicado. Podemos tomar-nos muito temerosos e acreditar que ninguém se importa.
A depressão pode ser branda e durar um período curto ou pode ser profunda e parecer irreversível. Achamos que nossa dor ou luta são enormes e que o mundo ficaria melhor sem nós. Podemos nos voltar para comportamentos destrutivos e pensar sobre suicídio ou até mesmo tentá-lo. Se você está procurando uma alternativa, continue lendo!
É importante notar que depressão não é um sinal de fraqueza pessoal. Não é uma condição que possa ser controlada pela vontade e que vai embora quando se deseja. Embora amigos bem-intencionados, algumas vezes, nos digam para "sair do buraco" e “manter o astral alto”, a recuperação não é tão simples. Visitas a um médico especialista e/ou o uso de medicamentos pode, às vezes, ser necessário. Os Emocionais Anônimos podem também ser um meio de recuperação.

POR QUE FICAMOS DEPRIMIDOS?

Não expressar nossos sentimentos, especialmente raiva, oferece razões para nosso sofrimento. Nós não aceitamos a nós mesmos, nossas situações, nosso passado ou nossos erros durante a vida. A depressão é o mecanismo de defesa que usamos para nos esconder quando não queremos lidar com um conflito. A depressão é o nosso modo de não encarar a realidade.
Algumas pessoas possuem um fator de risco hereditário para depressão. Um desequilíbrio químico ou alguma outra razão médica também podem nos deixarem predispostos a essa condição. Outros se tornaram deprimidos quando se sentiram sobrecarregados por situações em suas vidas. O fato de possuir baixa autoestima e ver a nós mesmos e a nosso mundo com pessimismo, também causa depressão.

EXPRESSANDO NOSSAS EMOÇÕES

Podemos ter aprendido cedo em nossas vidas que não era certo expressar o que sentíamos para os outros. Fomos, talvez, severamente criticados por termos tido ataques de raiva ou expressado raiva em relação a pessoas que nos fizeram sentir assim. "Pare com essa choradeira" ou "Vou lhe dar algo para chorar de verdade", podem nos ter sido dito frequentemente quando éramos pequenos. Podem não ter aceitado que expressássemos nosso medo em certas situações. Talvez tenhamos aprendido a não exteriorizar esses sentimentos, por ouvirmos frases do tipo: "Seja corajoso! Meninos e meninas grandes não sentem medo".
Se não nos sentimos seguros ao expressar tais opções, pode ser que as tenhamos voltado para dentro de nós mesmos. Era mais seguro e fácil evitar o conflito e empurrar os sentimentos para dentro de nós. Se fizermos ou continuamos fazendo isso frequentemente, ficamos repletos de emoções não expressadas.
Essa "raiva congelada" nos torna paralisados". Logo, não somos nem capazes de perceber qual a situação que fez com que nos sentíssemos tristes, com raiva, ódio, medo ou contentes. Podemos, falsamente, acreditar que somos indivíduos essencialmente felizes porque raramente sentimos raiva ou medo. Na verdade, estamos somente negando essas emoções. Por outro lado, inocentes comentários ou pequenos eventos podem nos fazer exagerar uma reação ou sentir muita raiva. A depressão pode aparecer quando perdemos contato com os nossos sentimentos.

EMOCIONAIS ANÔNIMOS PODEM AJUDAR!

A depressão pode nos colocar em nosso poço emocional. E nesse estado, podemos começar a frequentar as reuniões de EA. Muitos dos que frequentam as reuniões já tiveram sintomas de depressão uma ou mais vezes.
Sentimo-nos muito ruins num estado de depressão. Acreditamos que se despejarmos todos os nossos problemas durante as reuniões, isso ajudará. No entanto, nós achamos que as reuniões de Emocionais Anônimos não são para revermos continuamente as nossas misérias, mas o lugar para aprendermos a encontrar maneiras de lidar com a nossa vida. Quando focalizamos a solução e não o problema, possivelmente encontraremos a solução. Por outro lado, nas reuniões, a depressão pode ter um tamanho controle sobre nós, que mal podemos falar.
Frequentemente sentimo-nos envergonhados e culpados por estarmos deprimidos, como se ficar deprimido fosse uma fraqueza pessoal. Quando aprendemos que membros do Emocionais Anônimos chegaram à conclusão que “ajuda não colocar rótulos ou intensidade para a doença ou para a saúde", sentimos alívio e aceitação.
Nós lemos "Só por Hoje eu tomarei conta da minha saúde física...", mas quando estamos deprimidos, normalmente temos pouca energia e é necessário um grande esforço para se fazer qualquer coisa. Nós iríamos preferir descansar ou ficar na cama. Esse "Só por Hoje” nos desperta para uma maneira melhor.
Quando admitimos e acreditamos que somos impotentes em relação a nossa depressão, que é o Primeiro Passo, estaremos nos permitindo parar de negá-la e controlá-la. Essa honesta aceitação não é um sinal de derrota, mas de esperança. Ela permite que os princípios dos Emocionais Anônimos e as pessoas do programa possam começar a nos ajudar.

Logo começamos a acreditar que existe um Poder maior que nós mesmos que pode restaurar a nossa sanidade. Esse é o Segundo Passo. Seguramente, sabemos que quando estamos deprimidos não estamos vivendo de um modo saudável e racional. Durante esses períodos, podemos nos sentir não merecedores de amor ou ajuda das pessoas. Pedir ajuda ao grupo é um passo na direção certa. Embora seja difícil para nós pedirmos ajuda a um Poder Superior, chega uma hora em que é necessário que façamos isso.

Muitos membros dos Emocionais Anônimos encontraram alívio de suas depressões. Eles conseguiram isso trabalhando os Doze Passos e compartilhando os princípios desse programa com outras pessoas. É através da partilha que tomamos contato com nossas emoções e saímos de nosso egocentrismo (egoísmo). Um paradoxo desse programa é que para manter o que nós aprendemos, precisamos compartilhar esse conhecimento com os outros.
À medida que trabalhamos os passos, lentamente começamos a nos conhecer melhor. Ao fazermos isso, fica mais fácil nos aceitarmos, aceitar aqueles à nossa volta e aceitar a nossa situação. Através da aceitação, nós começamos a mudar.
O Programa nos lembra, "Só por Hoje eu me aceitarei e viverei da melhor forma que puder". Como a depressão é, muitas vezes, um sintoma de raiva voltada para dentro de nós, pode levar algum tempo para que aprendamos a aceitar a nós mesmos e a nossa situação. No entanto, é importante que nós nos aceitemos simplesmente como somos se quisermos começar a nossa recuperação.
Através de Emocionais Anônimos, aprendemos que é necessário expressar raiva e outras emoções, mas de uma maneira apropriada. Tais expressões podem ser difíceis, porém a prática é necessária. Quando éramos crianças, andar de bicicleta pela primeira vez pode ter sido difícil. No entanto, como queríamos andar de bicicleta, continuamos tentando e praticando. Quando uma situação que nos deixa com raiva aparece, admitimos estarmos com raiva. Nós fazemos isso, mesmo não sentindo nossa raiva. Pode não ser apropriado dizer diretamente à pessoa que achamos que nos causa esse sentimento, então falamos com uma pessoa neutra. Nós descrevemos o incidente, sentindo o máximo possível essa emoção. Dessa forma, somos capazes de soltar a nossa raiva e não estocá-la dentro de nós. Continuamos a praticar cada vez que for apropriado e começamos a entrar em contato com os nossos sentimentos. Falar é benéfico para nós, especialmente quando sinais de depressão são evidentes. Compartilhar pelo telefone ou nas reuniões com uma pessoa compreensiva, nos deixa em contato com o que estamos sentindo. Nessas horas, não temos muita vontade de participar de uma reunião de Emocionais Anônimos, mas é nesse momento que mais precisamos estar lá. Podemos sempre escutar se não estamos dispostos a falar. Ao participarmos de uma reunião, estamos nos forçando a parar de pensar exclusivamente em nós mesmos e a focalizar os outros. Podemos descobrir que, afinal, temos algo para compartilhar. Normalmente saímos da reunião nos sentindo mais esperançosos.

Obtemos a habilidade de voltar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de nosso Poder Superior (Terceiro Passo) porque concluímos que esse Poder Superior está fazendo por nós aquilo que não podemos fazer sozinho. Começamos a sentir uma nova liberdade e uma felicidade quando aprendemos que depressão não precisa ser o nosso destino. Quando nos tornamos conscientes dos nossos sentimentos e os expressamos mais facilmente, experimentamos uma regressão na depressão. A nossa autoestima e autoconfiança crescem e temos menos medo de compartilhar nas reuniões. Com a contínua prática dos Doze Passos, as promessas desse programa se tornam verdadeiras para nós. Até percebemos que nossas experiências passadas e a consequente recuperação podem ajudar a outras pessoas.


                                     INDECISÃO

Muitos de nós temos grande dificuldade em tomar decisões. Isso tem alguma coisa a ver com nossa criação, nossa falta de amor próprio ou nossa falta de confiança? Poderia ser medo de falhar?
Mesmo as simples decisões de cada dia, podem, algumas vezes, nos deixar quase que imobilizados. Escolhas tais, como: que caminho percorrer até a loja, que compras fazer, que tarefa executar primeiro, podem ser ameaçadoras. Achamos que se tomarmos a decisão errada, afetará drasticamente o curso de nossas vidas.
As grandes decisões, tais como escolher um colégio ou carreira, comprar um carro ou uma casa, podem ser difíceis. Elas podem parecer impossíveis para nós e podemos não nos sentir preparados para enfrentá-las.
Pedir a opinião de outras pessoas pode ajudar. Porém, isso poderá nos deixar mais confusos. Podemos nos ressentir quando os conselhos dados não nos adiantarem. Essa dependência dos outros pode se tornar um hábito e, então, podemos tomar a decisão que mais convenha a eles e não a nós.
Talvez nossa indecisão seja proveniente de uma aversão por nós mesmos ou falta de confiança em nossas habilidades. Pode ser proveniente de não querermos a responsabilidade de aceitar as consequências de nossas decisões. Talvez estejamos apenas com medo de cometer erros, medo de não sermos perfeitos ou medo de falhar.
Nossas mentes podem estar cheias de "o que aconteceria se..." ou "se pelo menos...". O que aconteceria se tomássemos a decisão errada? E se alguém discordasse ou desaprovasse?
Quando tomamos uma decisão podemos continuar a ter dúvidas sobre ela. Podíamos nos censurar, mudarmos de ideia ou reformular decisões tomadas ontem ou há muitos meses atrás. Pensamos que se tivéssemos feito outra coisa, escolhido outro caminho, as coisas teriam se tornado melhores .
Frequentando as reuniões de Emocionais Anônimos, constatamos que outras pessoas tiveram esse mesmo problema. Praticando o Programa dos Doze Passos, conseguiram ajuda.
Nossa noção de valor pessoal melhora à medida que compartilhamos nossos sentimentos com outras pessoas e praticamos os Dozes Passos. Começamos a compreender o erro de projetar os resultados de nossas decisões no futuro ou questionar o que fizemos no passado. O futuro tem potencial, mas ainda não aconteceu. Muitos de nós passamos muito tempo repisando o passado. Nada de novo jamais acontece lá e nada no passado pode ser mudado. Hoje é o único lugar para se estar. Pode ser assustador e ameaçador, mas é no presente que devemos aprender a tomar decisões.
Não existem decisões perfeitas que vão garantir resultados mágicos. Fazer uma escolha diferente não tornaria necessariamente as coisas melhores. Tomamos decisões usando a melhor informação disponível no momento. Temos em mente que somos humanos e, algumas vezes, podemos cometer erros, mas isso não é razão para não decidir. Aprendemos que é humano cometer erros. Podemos aprender com nossos erros e usar esse conhecimento mais tarde. Usamos os lemas "Primeiro as coisas primeiras" e "Procure ver o lado bom" para nos mantermos centrados.
Algumas vezes constatamos não estarmos emocionalmente capazes de tomar uma decisão. Se esse for o caso, está certo adiá-la por um breve tempo.
Também está certo adiar uma decisão até termos os fatos necessários para tomá-la, porém em algum ponto precisamos agir e escolher nossa própria direção. Nós devemos fazer a escolha. Aprendemos que é certo mudar de ideia, se isso for justificado, mas não apenas por causa de nosso problema de indecisão.
No Emocionais Anônimos aprendemos que é necessário começar a confiar em um Poder maior que nós mesmos para ajudar-nos em nossas decisões. Tendo feito a nossa parte na tomada de decisão, entregamos as coisas ao nosso Poder Superior. Quando a orientação chega, nós a aceitamos e a seguimos. Se começamos a questionar nossa escolha, nós a entregamos ao Poder Superior e repetimos tal entrega, se necessário.
A entrega demanda prática porque ela é nova para nós, mas é nesse ponto que o conceito de orientação vinda do Poder Superior é tão valioso.

À medida que aprendemos a confiar em nosso Poder Superior para nos ajudar em nossas decisões, adquirimos confiança em nós mesmos quando experimentamos algumas das Promessas do Programa de Emocionais Anônimos “O sentimento de inutilidade e auto piedade diminuem. As nossas atitudes e o nosso modo de enfrentar a vida se modificam completamente. Aprendemos a lidar intuitivamente com situações que antes nos deixavam sem saber como agir”.
Tomar decisões torna-se mais fácil. Começamos a compreender que somente nós, com a ajuda do nosso Poder Superior, podemos tomar as decisões melhores para nós mesmos. A vida não é mais toda essa luta.
Às vezes nossos dias estão cheios de decisões a serem tomadas. Quando lutamos contra uma decisão, aprendemos que isso apenas aumenta sua dificuldade. Aceitamos as decisões como elas chegam e agradecemos ao nosso Poder Superior pela oportunidade de praticar a tomada de decisão.
Aceitamos essa responsabilidade, mas através de Emocionais Anônimos sabemos deixar os resultados por conta do nosso Poder Superior.

                                           MEDO


O medo é um instinto natural e valioso. Ele pode nos ajudar a sobreviver em situações perigosas ou ameaçadoras. Mas, para alguns de nós, o medo pode se tornar uma força destrutiva. Por medo, poderemos deixar de assumir riscos necessários, de conhecer novas pessoas ou de ampliarmos os nossos horizontes.
Talvez alguns de nós tenhamos crescido acreditando que o mundo é um lugar ameaçador. Por termos tido alguma experiência amedrontadora, podemos ter perdido a nossa confiança. Não importa de que maneira o medo possa ter se tornado parte de nossos sentimentos, ele pode vir a ser uma influência negativa e penetrante. Quando o medo nos impede de tentar algo novo ou quando se torna um sentimento paralisante que nos impede de levar uma vida normal, ele pode ser uma força irracional e destrutiva para nós, em nossas vidas. Situações normais nos parecem ameaçadoras e tendemos a evitá-las. Podemos sentir-nos diferentes ou inferiores porque outros parecem lidar com a vida sem ter medo.
Tornamos o nosso medo maior ao tentarmos manter uma aparência de força, para depois nos preocuparmos com a possível descoberta da nossa real situação. Ou, então, podemos simplesmente desistir de viver e nos refugiarmos em nosso mundo particular.
Podemos ter tentado afastar nossos medos intelectualizando-os, dizendo a nós mesmos que, na realidade, não há nada a temer. Talvez tenhamos tentado lutar contra o medo com toda a nossa força de vontade e coragem, porém os nossos maiores esforços parecem ter sido em vão.
O benefício imediato oferecido por Emocionais Anônimos é conhecermos outras pessoas que tiveram experiências semelhantes com o medo e que entendem nossos sentimentos, embora tais sentimentos sempre nos tivessem parecido irracionais. No Emocionais Anônimos, aprendemos que somos impotentes perante nossas emoções, que não podemos livrar-nos do medo usando o pensamento ou a força de vontade. Ficamos sabendo que as emoções não são boas nem más, elas apenas "existem".

Podemos ter sido medrosos durante toda a nossa vida. Porém, agora reconhecemos e admitimos isso. Admitir ou reconhecer o nosso medo é o primeiro passo para não deixarmos que ele controle o nosso pensamento. Quando paramos de negar ou de lutar contra o nosso medo, podemos aceitá-lo. A ideia de aceitar nossos medos pode ser bastante amedrontadora.
Através deste programa, descobrimos a existência de um Poder Superior.
Quando nos dispomos a confiar em nosso Poder Superior, um dia de cada vez, ou até cinco minutos de cada vez, descobrimos que o medo pode ser substituído pela fé. Nossa fé começa a crescer à medida que vemos o Poder Superior atuando em nossas vidas ou nas vidas de outras pessoas. Podemos começar a baixar a nossa guarda e compreender que o controle que tínhamos era um controle ilusório. Podemos aprender a abrir mão de nosso medo e, quando assim o fazemos, nosso Poder Superior nos dá a força necessária para encararmos a situação de frente.
Aprender a confiar em nosso Poder Superior pode se tornar um hábito que nos traz paz de espírito e nos livra da vã tarefa de tentar controlar nossos medos. O medo sai de nossas vidas sendo substituído pelo conhecimento de que a força e a serenidade são dadas pelo nosso Poder Superior.


                                           PACIÊNCIA

A paciência é típica da filosofia de Emocionais Anônimos para deixar que o tempo faça seu trabalho. A falta de paciência pode se transformar em pressa, que é o que queremos evitar. O 7º Só por Hoje diz: ”Procurarei me livrar de dois grandes males: a pressa e a indecisão”. Isso torna evidente para muitos de nós, no início da recuperação, que a pressa e a indecisão não nos fazem bem.
Paciência é o poder de esperar calmamente ou resistir à dor ou provocação sem reclamar. Quando viemos ao programa, descobrimos que éramos impacientes, interesseiros e egoístas. Não estávamos emocionalmente bem e nossos defeitos de caráter eram evidenciados por nossa falta de paciência. Conforme trabalhamos o programa começamos a aprender a ter paciência com nosso Poder Superior, com os outros e conosco.
Dizemos que leva tempo para conhecer e compreender as muitas ferramentas do programa para que possamos fazer uso apropriado delas. Frequentemente os recém-chegados querem resultados rápidos ou até imediatos. Isso raramente acontece. Não podemos esquecer que nosso desequilíbrio levou anos para chegar onde está.
Isso não pode ser modificado imediatamente e provavelmente a mudança virá com o tempo. É por esse motivo que aprender a ser paciente é tão necessário. A recuperação pode ser comparada com um bolo sendo assado. Existem certas instruções para seguir. Aumentar a temperatura do forno ou alterar o tempo de cozimento não seria produtivo.
Em nossa vida diária, a paciência é frequentemente um pré-requisito para obtermos algo de alguém. A paciência é boa por muitas razões, incluindo as físicas. Ela nos ajuda a evitar a raiva, a frustração e o desapontamento. Essas emoções podem causar o aumento da pressão arterial e outros sérios problemas de saúde. A perda da serenidade causa grande risco.

Pense sobre seu dia “normal”.

  • O que você faz quando fica preso no trânsito?
  • Como você age quando a garçonete esquece de trazer seu café ou sua água gelada?
  • Quando estamos na fila do correio ou do banco, muitos de nós perdemos a calma. E você?

Até mesmo em nossas reuniões de grupo, ouvimos as pessoas perguntarem:

  • “Por que isso demora tanto?”
  •  “Quando começarei a ter serenidade?”

Muitos de nós estamos constantemente correndo ou com pressa. Que benefício há nisso? Parece que achamos que não temos tempo para nos sentir bem. Não há uma pílula mágica para nos curar. Temos que trabalhar nosso programa com empenho sincero.
A falta de paciência pode ter efeitos negativos em nossos relacionamentos com os outros, principalmente se formos do tipo arrogante. É melhor evitar tal comportamento, não só porque isso chateia os outros, mas também porque isso causa efeitos negativos em nossa saúde mental e espiritual. A impaciência pode nos tornar arrogantes e fazer com que não levemos as opiniões alheias em consideração. Quando as pessoas se deparam com esse tipo de atitude, elas não agem da maneira que desejamos, pois sentem-se rejeitadas e possivelmente tomam decisões irracionais. Isso poderia comprometer ou até mesmo interromper nossa recuperação, e tudo por causa da impaciência.
A necessidade de controlar pode ser um sintoma da impaciência. Não somos pacientes para permitir que outra pessoa seja líder e tome decisões que podem nos afetar. Queremos tudo à nossa própria maneira. Achamos que podemos fazer as coisas melhor e mais rapidamente, então para que deixar outra pessoa encarregar-se?
É tão fácil tentar devolver-nos o controle! Nosso Poder Superior nos dará a força e a paciência que precisamos para lidar com nossos defeitos de caráter. Rogamos esta paciência ao nosso Poder Superior ao trabalharmos os Primeiro, Segundo e Terceiro Passos.

As ferramentas de Emocionais Anônimos nos ajudam a ganhar o interesse pelos outros e melhorar nossos relacionamentos. Aprendemos a lidar com situações que antes nos causariam uma queda e arruinariam nosso dia. Aceitando que nós, e os outros, somos humanos, aprendemos a ser pacientes. Também trabalhamos o programa um dia de cada vez. Isso exige um grande esforço em lidarmos com nós mesmos, mas vale à pena.
Todas as coisas boas e bonitas levam tempo, seu próprio tempo. — Por que achamos que tudo tem que obedecer ao nosso desejo e que as coisas têm que acontecer quando queremos? — Esse é um pensamento que condiz com a realidade? Considere quanto tempo levamos para construir este armazém de defeitos de caráter.
A recuperação não é como uma corrida. Não há competição. Ela consiste em trabalhar lentamente pequenos passos – um de cada vez. E algumas vezes teremos que voltar um passo ou dois. O segredo é continuar trabalhando deliberadamente esses pequenos passos e aceitar a lentidão sem impaciência.
A paciência é um incentivo à serenidade, nosso objetivo final. Devemos aprender a sermos pacientes com a vida, e especialmente pacientes conosco mesmos.


                                  PERFECCIONISMO

O perfeccionismo é um defeito de caráter difícil de se lidar porque não acreditamos que seja um defeito. Acreditamos que é bom ser perfeito. Essa é a armadilha do perfeccionismo.
O perfeccionismo faz demandas contínuas de nosso tempo e energia. Ele nos diz que não estamos fazendo o bastante, empurra-nos para trabalhar mais duro, empurra-nos a fazer mais e a fazer tudo perfeito. Muitas vezes, teríamos preferido não fazer nada a arriscar-nos a falhar. Quando não fazemos as coisas com perfeição, sentimo-nos muito culpados.
Podemos facilmente ser pegos praticando o perfeccionismo. Elaboramos listas das coisas por fazer e organizamos nossos instrumentos de trabalho. Sempre nos preocupamos com o que poderia acontecer se as tarefas não fossem executadas da maneira certa ou em tempo. Podemos, também, nos preocupar com agradarmos ao nosso chefe, aos colegas de trabalho, a família, aos amigos ou a nós mesmos.
Raramente alcançamos perfeição porque os altos padrões que estabelecemos são impossíveis de serem alcançados. É então que a culpa e os sentimentos de inadequação aparecem. Isso afeta nosso frágil sentimento de valor pessoal porque com essa noção errada, nosso valor vai depender do nosso desempenho e da nossa eterna necessidade de sermos perfeitos.
A prática do perfeccionismo nos tranca em um círculo de tormento. Dentro desse círculo estabelecemos altos padrões e falhamos ao tentar alcançá-los. Então nos punimos por isso e estabelecemos padrões ainda mais altos para compensar tudo.
Esse círculo tem muitos efeitos colaterais negativos. Ele nos isola dos amigos e da família. Gastamos tanto tempo em nosso trabalho que não há tempo para relaxar. Quando não relaxamos e raramente nos divertimos, nosso estresse se acumula.
Frequentemente, os outros não se dão conta da nossa necessidade de sermos perfeitos. Ela pode não transparecer em nossas ações, mas nos sentimos inadequados quando constatamos as realizações dos outros.

Quando decidimos que já sofremos o bastante e desejamos verdadeiramente mudar, recorremos aos Doze Passos de Emocionais Anônimos em busca de ajuda. Compartilhamos nossos sentimentos e falamos de nossos comportamentos perfeccionistas com outros membros de Emocionais Anônimos que nos compreendem. Usamos o lema "Não compare". Começamos a nos valorizar sem ter que competir com os outros. Admitimos desistir de nossa busca pela perfeição. Reconhecemos a dor que o nosso perfeccionismo nos causa e àqueles que nos cercam. Vemos o quanto as nossas expectativas têm sido absurdas.

Para nos livrarmos do nosso perfeccionismo, precisamos primeiro, admitir termos esse sentimento e que somos impotentes perante ele. Podemos então começar a agir da seguinte forma:


  1. Paramos de nos comparar com os outros e começamos a gostar de nós mesmos pelo que somos e não pelo que fazemos.
  2. Passamos a ter boa vontade em aceitar novas ideias de outras pessoas, o que amplia a nossa visão. Já não nos subestimamos por não termos pensado nessas ideias antes delas.
  3. Permitimo-nos errar, reconhecendo que não somos perfeitos, mas, sim, perfeitamente humanos. Lutamos pelo progresso, não pela perfeição.
  4. Começamos a ver que já não precisamos estar sempre com a razão. Valorizamos ouvir os outros e compartilhar com eles.
  5. Permitimos àqueles a nossa volta a liberdade de cometer erros e reconhecermos que suas vidas são responsabilidade deles.
  6. Tentamos viver um dia de cada vez, planejando nossas ações, porém deixando os resultados por conta do nosso Poder Superior. Lembramos de "soltar as rédeas e entregar a Deus"

Tivemos esse problema por muitos anos e compreendemos que vai levar tempo para mudar. Temos de ter paciência.

Quando começamos a nos recuperar de nossa necessidade de sermos perfeitos, nos tornamos mais carinhosos e aprendemos a gostar da vida. Aceitamo-nos como somos hoje. Fazemos uma lista criteriosa das coisas por fazer e não nos sentimos mal se apenas poucas forem completadas. Paramos de julgar a nós mesmos e aos outros. Começamos a entender que somos perfeitos aos olhos do nosso Poder Superior.
À medida que nossa percepção aumenta, vemos mais facilmente o quanto somos limitados pela prática do perfeccionismo. Agora temos coragem de mudar! Nossas vidas se tornam mais felizes e mais serenas. Com o nosso perfeccionismo apenas controlado, pois não será curado, continuamos a praticar os Doze Passos de Emocionais Anônimos. Encontramos alívio um dia de cada vez.


                                            PESAR

O pesar é uma reação emocional a uma perda em nossas vidas. Uma perda em que somos impotentes para alterar ou desfazer. O Programa dos Doze Passos de Emocionais Anônimos pode ajudar a lidarmos com sentimentos de pesar, não importando quais sejam as suas causas.
As situações que provocam esse devastador sentimento de perda podem ser surpreendentemente variadas. A mais óbvia causa de pesar é a morte de um pai, mãe, cônjuge, filho, animal de estimação ou outro ser amado. Entretanto, existem muitas outras situações que podem desencadear essa emoção e que não estão relacionadas com a morte. Existe a perda sentida em consequência de infertilidade, divórcio, desemprego, aposentadoria ou mudança. Há um sentimento de perda quando um filho sai de casa ou um pesar profundo pode acompanhar uma doença grave que ameaça a nossa vida ou a de alguém que gostamos. Também há pesar quando nos apercebemos de que estamos perdendo alguma parte de nossos sonhos em relação a um ser amado ou a nós mesmos.
Até mesmo algo positivo, como começar um novo emprego, casar ou passar por uma transformação pessoal através do crescimento no Programa de Emocionais Anônimos, pode suscitar sentimentos de pesar.
Embora um novo emprego, um casamento ou outras mudanças positivas sejam, certamente, bem-vindas, elas são o fim de uma parte em nossas vidas, como a conhecíamos. Nessas ocasiões, esperamos estar muito felizes e sentimentos de pesar, tristeza ou consternação, podem nos deixar um pouco confusos.
Mudanças e perdas são difíceis de serem suportadas porque investimos um grande significado em alguma outra pessoa ou coisa. Podemos ter feito isso inconscientemente e ficamos surpresos com a profundidade do nosso pesar. Se colocarmos um grande valor emocional em alguém, em algum lugar ou em alguma coisa, investimos tempo e energia nessa relação.
Definimos o nosso "eu" em relação aquilo cuja falta sentimos agora. Quando uma relação é alterada e não somos mais capazes de definir o nosso "eu" através do lugar que trabalhamos ou vivemos ou do que possuímos, é como se uma parte do nosso "eu" nos tivesse sido arrancada. A nossa identidade, a maneira como nos conhecemos e percebemos, sofreu uma ruptura. O pesar ajuda a nos redefinirmos e a recuperarmos o sentimento de totalidade. Enfim, o pesar tem tudo a ver com o processo de cura, com voltarmos a ser, de novo, fortes e inteiros.

O pesar pode ser muito doloroso e assustador. De um modo geral, consiste numa série de fases que vão desde um estado de choque e confusão até a recuperação de nosso equilíbrio. O processo é frequentemente caótico à medida que, entre recuos e avanços, vamos percorrendo essas sucessivas fases. Por vezes, parece que sentimos apenas raiva em relação à pessoa ou à situação que nos causa pesar e sofrimento. Podemos ficar assustados e envergonhados com a nossa própria raiva. Outras vezes, nada sentimos a não ser tristeza e desorientação. Porém, nossos sentimentos fazem parte de um processo em aceitar as nossas perdas e em tirar delas algum sentido

Em Emocionais Anônimos, aprendemos que somos impotentes perante nossas emoções. Por mais dolorosa que a perda possa ser, o primeiro e o melhor caminho para lidarmos com o pesar que ela nos causa é deixar que os nossos sentimentos se manifestem plenamente. Precisamos aceitar os nossos sentimentos como não sendo nem bons nem ruins. Sentimentos têm o hábito obstinado de não irem embora só porque os negamos ou os escondemos. Sentir a dor é uma parte essencial do crescimento para além do pesar.

Não existe um tempo certo para a superação do pesar. Este durará o tempo que tiver de durar e a jornada é de natureza bastante individual. Algumas pessoas levam anos para resolver seus sentimentos ou "dar a volta por cima". Mas não se trata realmente de "dar a volta por cima". A perda sofrida torna-se parte integrante do que somos para o resto de nossas vidas, mas não necessariamente de uma forma dominante. Emocionais Anônimos nos lembra que parte de nossa serenidade resulta do fato de sermos capazes de viver em paz com problemas não resolvidos.
Não estamos deixando a nossa perda para trás. Ao invés disso, estamos construindo uma nova identidade, um novo sentido para o nosso próprio eu – nós mesmos mais a perda. Perdemos o futuro que havíamos planejado e agora haverá um novo futuro. O pesar converte-se, finalmente, em esperança, na medida em que assumimos uma nova e mais positiva atitude em relação a um futuro imprevisível.

Uma das coisas mais valiosas que aprendemos em Emocionais Anônimos é a aceitação de nós mesmos, dos outros e de nossa situação. Quando escutamos outros membros de Emocionais Anônimos que enfrentaram com êxito seu pesar, descobrimos que, de um modo geral, voltaram-se para o seu Poder Superior em busca de força e orientação, enquanto elaboravam seus sentimentos. Pedindo ajuda ao Poder Superior para aceitar esses sentimentos e trabalhando duro para se abrir sobre eles com outras pessoas, descobriram e aprenderam a aceitar a vontade desse Poder Superior.
Através do Programa de Doze Passos de Emocionais Anônimos, encontramos um Poder Superior solícito e amoroso, que está sempre lá para nós, mesmo em nossos tempos de pesar.
Aprendemos em Emocionais Anônimos, que não estamos sós. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, experimentaremos os sentimentos de perda, de luto e de pesar. Isso faz parte da vida! A alternativa para lidar com nosso pesar é reprimir o que sentimos de uma forma doentia. Pode ser útil escrever um diário ou fazer um inventário do Quarto Passo sobre a situação que provoca o nosso pesar ou até mesmo escrever uma carta para os envolvidos nesse evento significativo, retirando os sentimentos dos confins de nossa mente e transferindo-os para o papel. Se a carta é endereçada a um ente falecido, não podemos entregá-la, mas nos beneficiamos com o simples ato de escrever. Sentimo-nos ajudados ao colocar esses sentimentos tristes em palavras e nossa mente é apaziguada por escolher essa atividade.
Usando a Oração da Serenidade, a meditação diária, os Doze Passos e a literatura de Emocionais Anônimos, podemos trabalhar o nosso pesar. Falar com um conselheiro ou com outros membros de Emocionais Anônimos ou ir a reuniões extras, também são iniciativas benéficas. Ajudar outros, prestando serviços ao nosso grupo de Emocionais Anônimos ou à comunidade, pode desviar de nós mesmos o foco da atenção e aliviar, assim, o fardo que o pesar nos impôs, trazendo algum alívio e recuperação.

Os Só Por Hoje podem ser de grande valor durante esses períodos. São receitas poderosas para a vida cotidiana que, se seguidas, nos ajudam a superar esses sentimentos dispersos quando não sabemos qual a melhor coisa a fazer. Lê-los a cada dia e escolher um deles como foco para esse dia, pode ser uma atitude muito benéfica e salutar no caminho da recuperação.

Emocionais Anônimos nos ensina sobre aceitação e renúncia, qualidades que nos ajudam a enfrentar esse transe. Ouvir outras companheiras e companheiros contarem como superaram isso e voltaram a sentir gosto pela vida, nos dá esperança para o nosso futuro. Finalmente, a sensação de vazio diminui, dando lugar à recuperação. O pesar declina com o tempo e os princípios de Emocionais Anônimos ajudam para que esse tempo seja menos assustador e fora de controle. Na medida em que estamos dispostos a vivenciar nossos sentimentos, que nos esforçamos por perdoar a nós mesmos ou a outras pessoas, sempre que necessário, e que usamos a ajuda de um Poder que nos é superior, o nosso pesar pode ser transformado em nova sabedoria e esperança.

Um dia, seremos capazes de ajudar outras pessoas quando se sentirem invadidas pelo doloroso sentimento de pesar. E o pesar tem a ver com a recuperação – a cura da perda e a retomada de nossa vida com uma nova profundidade e compreensão do plano traçado pelo nosso Poder Superior para a nossa vida.


                                               RAIVA

A raiva é uma emoção básica que é definida como sentimento de grande desprazer, de hostilidade, de indignação ou de exasperação para com alguém ou alguma coisa. Entre os sintomas de raiva estão: cólera, fúria, ira, irritação, ressentimentos e indignação.
Os sentimentos de raiva podem ser muito difíceis de serem expressados por alguns de nós. Por outro lado, alguns de nós podem demonstrar raiva a maior parte do tempo. Depressão, hipertensão arterial, dores de cabeça, úlceras e insônia são alguns dos sintomas físicos que podem surgir quando não lidamos, de forma apropriada, com situações que nos provocam raiva.
Nossos relacionamentos com os outros também sofrem consequências. De igual importância é o efeito que a raiva tem sobre a nossa autoestima. Não nos sentimos bem conosco mesmos se conservarmos conosco, consciente ou inconscientemente, raiva e hostilidade não resolvidas.
Alguns de nós raramente se sentem enraivecidos enquanto desenvolvem suas atividades diárias. É possível que não nos tenha sido permitido demonstrar raiva enquanto crianças.
Por tentarmos agradar os adultos em nossas vidas, aprendemos cedo a suprimir nossa raiva e não expressá-la abertamente, afim de evitar sermos criticados. Algum tempo depois, talvez não tenhamos sentido conscientemente a raiva que crescia dentro de nós. Talvez tenhamos aprendido a negar a existência da raiva. Apenas aceitamos nossas circunstâncias sem cuidarmos de nossos sentimentos de uma maneira que nos fosse benéfica.
Se não expressarmos nossa raiva abertamente, nós a suprimimos e ela vai crescer dentro de nós. Os sintomas físicos podem ocorrer. Pode-se também recorrer ao uso abusivo de drogas ou ao comer compulsivo se não lidamos com os sentimentos de raiva de forma apropriada. A raiva não resolvida pode evoluir ao ponto de nos tornarmos uma bomba e explodirmos emocionalmente. Se andarmos por aí com raiva uma boa parte do tempo, nossos relacionamentos pessoais e profissionais sofrerão.

Emocionais Anônimos não só pode nos ajudar a entrar em contato com nossos sentimentos de raiva, como também pode nos ajudar a expressar nossas emoções de maneira apropriada e saudável. Podemos usar o Primeiro Passo e admitirmos que somos impotentes perante nossa raiva e nossos ressentimentos.
Ao frequentarmos as reuniões, ouvimos como os outros usam esses princípios espirituais em suas vidas.
Nós nos tornamos mais ligados ou mais afinados conosco mesmos e com nossos sentimentos. Aprendemos que, muitas vezes, a raiva advém da frustração com outros ou com nossa situação.
Com a ajuda de Emocionais Anônimos, aprendemos a aceitar as coisas que não podemos mudar e apenas tentar mudar aquelas que podemos. Começamos a saber mais rapidamente, se estamos com raiva ou magoados. Tornamo-nos mais perceptivos dos nossos verdadeiros sentimentos. Com o crescimento da nossa fé em nosso Poder Superior, pedimos por orientação, direção e força para lidarmos com essas situações. Nossa autoestima se eleva e começamos a assumir mais riscos. A Décima Promessa se torna realidade, pois começamos a poder lidar intuitivamente com situações que antes nos frustravam.
No Programa de EA, aprendemos que os sentimentos não são bons nem maus, apenas existem. Os sentimentos nos ajudam a sabermos quando precisamos agir ou reagir a uma situação para nosso próprio benefício.
Ao ganharmos experiência nessa nova maneira de lidar com a raiva e com ressentimentos, nos permitimos sentir e até vivenciarmos esses sentimentos por certo período de tempo. Antes de agirmos é bom se pudermos verbalizar a situação com uma pessoa neutra. Assumimos responsabilidade por nossos sentimentos, sem negá-los ou suprimi-los.
Aprendemos que a raiva não é o problema, mas, sim, o que fazemos com essa emoção. Deixados à vontade, nossa raiva e nossos sentimentos feridos podem nos levar a um comportamento destrutivo, mas se lidarmos com eles ou os expressarmos de forma apropriada, eles nos ajudam a nos aceitarmos melhor. Um dos resultados é um melhor relacionamento com os outros.
A inestimável dádiva da serenidade que vemos nos outros e lemos a respeito, se realizara em nós.


                                  RESSENTIMENTOS

Ressentimentos são sentimentos de raiva, de indignação ou de injustiça – muitas vezes não expressados – por acontecimentos do passado. Revivemos a mágoa várias vezes no presente. Mantemos vivas em nossa mente as palavras ou ações dirigidas ou cometidas contra nós, enquanto a nossa mágoa cresce absurdamente. O que ou quem originou a mágoa pode não mais existir ou nem saber do mal cometido, porém continuamos alimentando a mágoa até que ela cresça e se multiplique, consumindo nossos pensamentos.
Não abrimos mão da mágoa. Sentimos pena de nós mesmos. Podemos desejar mal a determinada pessoa e esperar que ela venha a entender como nos magoou profundamente e prejudicou nossas vidas. Podemos até ensaiar cenas com detalhes, em nossa imaginação, de como poderíamos nos vingar delas. Não prestamos a menor atenção ao mal que fazemos a nós mesmos pensando dessa forma. Gastamos horas de nossos dias pensando no passado, em vez de tornar o nosso HOJE melhor. Quando guardamos um ressentimento, ficamos escravizados à pessoa de quem nos ressentimos. Não queremos ser escravos de ninguém, muito menos da pessoa contra quem guardamos ressentimentos. Quando começamos a perceber o que estamos fazendo a nós mesmos e aprendemos com o Programa de Emocionais Anônimos a pedir ajuda e orientação ao Poder Superior, o ressentimento começa a perder seu poder sobre nós.
Abrir mão dos ressentimentos não é fácil e leva tempo. Podemos não querer admitir até para nós mesmos, que temos ressentimentos profundamente arraigados em nós. Por outro lado, pode haver um certo grau de satisfação por estarmos com raiva e com auto piedade. À medida que aprendemos a ser mais honestos conosco mesmos, vemos como tais sentimentos destroem a nossa paz de espírito.
A chave para nos livrarmos de ressentimentos é o perdão. — Mas como perdoar alguém ou alguma coisa que nos magoou tão profundamente? — Como podemos abrir mão da dor que nos acompanha há tanto tempo, que tanto prejudicou nossas vidas e que nos foi infligida quando estávamos tão vulneráveis e a nossa autoestima tão baixa?
Podemos começar rezando para termos a capacidade de perdoar a pessoa que nos fez mal. Ou podemos rezar para nos dispormos a enxergar a nossa participação naquela situação e compreendermos que nós também contribuímos para o problema. Se pudermos ser honestos conosco mesmos, poderemos admitir que, às vezes, fazemos coisas que provocam reações negativas nos outros. Mesmo quando, honestamente, chegamos à conclusão de que não tivemos qualquer participação na criação do problema, o perdão ainda será necessário, se desejarmos ter paz de espírito. Ser feliz é mais importante do que estar com a razão!

Em Emocionais Anônimos, aprendemos a perdoar a nós mesmos e aos outros. Começamos a ver que a nossa felicidade não depende do que os outros fazem ou dizem. Em Emocionais Anônimos nos sentimos aceitos e amados e ficamos mais dispostos a aceitar e a amar os outros. Somos capazes de enviar mais pensamentos de amor do que de raiva. Ficamos livres da escravidão que nos aprisiona quando sentimos ressentimento.
Nossos ressentimentos se tornam coisas do passado e podemos vê-los realisticamente.


                                   SERENIDADE

Todos buscamos serenidade, mas o que é serenidade exatamente? Serenidade pode ser muitas coisas para muitas pessoas, não é fácil defini-la. Para fazê-lo nós frequentemente achamos mais fácil usar outras palavras como calma, compostura e quietude. Olhar ao redor pode nos trazer algumas respostas conforme observamos pessoas que tem o dom da serenidade. Pode ser alguém que saiba lidar convenientemente com problemas opressivos ou observações perturbadoras. Pode ser uma situação onde a pessoa lidou com observações excessivamente críticas, que não pareceram irritá-la. Não é maravilhoso saber que existem pessoas que podemos usar como ponto de referência para superarmos reações negativas em caso de situações extremas?
Na verdade, a serenidade pode ser encontrada em qualquer lugar, se procurarmos por ela. Por exemplo, imagine que você está em um elevador. Você está ansioso para descer porque alguém está batendo em você por trás. Você se vira para saber quem é o causador desta irritação mas o elevador está lotado. 

Então você fica quieto e nada diz. Ao descer do elevador você descobre que a pessoa que estava tocando em você era cega e a bengala dele batia em suas costas sem que ele soubesse. O fato de você permanecer calmo e não se alterar é, com certeza, um sinal de serenidade.

Na maioria das vezes, serenidade é uma questão de agir ou reagir sem resultados negativos. Trabalhar isto nos ajudará a alcançar nosso objetivo principal nos Emocionais Anônimos — sabermos viver com problemas sem solução. Como o sucesso raramente vem sem esforço, nosso papel é manter esses esforços. Teremos que tentar mudar o que for possível e evitar obstáculos contra a serenidade como a raiva, ressentimento e auto piedade, por exemplo. Usamos a oração da serenidade para nos ajudar atravessar as situações difíceis.

As partilhas positivas e enriquecedoras que ouvimos em nossas reuniões mostram frequentemente o caminho para a serenidade. O trabalho persistente e determinado nos ajudará a manter uma atitude positiva para enfrentarmos os desafios da vida. A maioria de nós tenta evitar ciladas como ficar excessivamente temerosos ou elevar demais nossas expectativas. Quanto mais altas forem nossas expectativas menor será nossa serenidade. Se diminuirmos nossas expectativas aumentaremos nossa serenidade.

Minimizamos o medo e a decepção quando aprendemos a nos conhecer e temos consciência de como reagimos às más notícias ou acontecimentos. Se mudarmos o que pudermos e isso não trouxer o resultado desejado, mesmo que tenhamos feito todo o possível, nos rendemos como sugere o Terceiro Passo, sabendo que tudo ficará bem. Na verdade se colocarmos a aceitação no topo de nossa lista de prioridades, poderemos alcançar a serenidade mais rapidamente.
Eu me lembrarei que a única pessoa que posso mudar sou eu. Quando fico perturbado é sinal de que encontrei alguém, algum lugar ou coisa inaceitável para mim e não encontrarei a serenidade até aceitá-los exatamente como eles são. Preciso me concentrar não tanto no que precisa ser mudado no mundo mas sim o que precisa ser mudado em mim e em minhas atitudes. Não é possível mudar o passado e quem pode dizer o que o futuro nos trará?
O trabalho determinado nos ajudará a enfrentar os desafios da vida. Tentar modificar os outros e os acontecimentos é perda de tempo. Preciso me manter no hoje. Por que temos que lutar o tempo todo? No passado certamente ouvimos algum de nossos amigos dizer que selecionássemos nossas batalhas, já que algumas não valiam a pena. Rever algum dos lemas, passos ou a literatura de Emocionais Anônimos pode nos ajudar na construção da serenidade. Por exemplo, nosso segundo Só Por Hoje diz que minha felicidade não depende do que os outros façam ou digam ou do que acontece ao meu redor.
Podemos nos ajudar trabalhando para obtermos fortes qualidades como auto estima e autoconfiança. Um membro mais antigo disse certa vez, “Enquanto fico triste perdendo sono por ressentimento e vingança, a outra pessoa está dormindo completamente alheia ao meu tormento.”

Às vezes só temos que visualizar algo para que isto aconteça. Por que não tentar isto com a serenidade? Podemos visualizar algo como as ondas deslizando gentilmente na praia. Músicas relaxantes também podem ajudar.

Trabalhar uma parte do programa todos os dias pode nos ajudar a ter constante paz de espírito. Muitas outras atitudes podem ser tomadas. Por exemplo, podemos fazer um estudo que vai mais além de nosso ciclo de recuperação emocional, focando experiência e trabalho com outras pessoas do programa. O livro It Works if You Work it (Funciona se Você Fizer Sua Parte), tem muitos discernimentos sobre serenidade. As páginas 2,124,126 e 188 apresentam muitos esclarecimentos sobre o que deveríamos fazer em prol de nosso bem-estar. Os muitos outros caminhos seguidos, por outros membros de Emocionais Anônimos, nos convidam a continuar nossa busca por serenidade.

Muitos sinais nos permitirão saber que estamos próximos de nosso objetivo. Quando as coisas que costumavam nos aborrecer não nos afetarem mais, saberemos que estamos assegurados pela serenidade. Estamos sendo rejeitados? Usaremos a sugestão “Não leve nada para o lado pessoal”. Estes esforços diários nos ajudarão a viver em paz com problemas sem solução e nos farão olhar para os outros com benevolência. Isto permitirá que a serenidade, pouco a pouco, faça seu ninho em nós.

SINAIS DE SERENIDADE

  • Aceitação
  • Calma
  • Conforto
  • Compostura
  • Contentamento
  • Harmonia
  • Bom Senso
  • Paciência Paz
  • Reconciliação
  • Consideração
  • Tranquilidade

ORAÇÃO DA SERENIDADE

Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as coisas que eu posso, e sabedoria para conhecer a diferença.


                                                 VERGONHA

A vergonha é uma emoção dolorosa que pode ser causada pelo sentimento de culpa. A culpa diz: “Eu cometi um engano”. A vergonha diz: “Eu sou o engano”. (Reflexão Hoje,1 de Abril). A culpa saudável pode nos ser útil, permitindo-nos saber onde violamos nosso sistema de crença. A vergonha é devastadora para nós já que alimenta os sentimentos de que somos desprezíveis ou inadequados.
Afirmações interiores como esta, podem estar muito escondidas em nosso subconsciente, mas podem ser a base de nossos sentimentos e percepções. Se temos pensamentos do tipo: “Acho que ninguém gosta de mim”, “Eu sou a pessoa mais doente do nosso grupo”, “Meu passado é tão horrível que nunca serei perdoado” ou ainda “Eu não posso fazer o quarto e quinto passos, pois ninguém me aceitaria”, podemos atribuir esses pensamentos à vergonha. Esses pensamentos de vergonha, não são baseados em fatos, na verdade são ilusões.
Quando éramos apenas crianças, talvez tenham nos dito: “Você é uma garota má. Deveria ter vergonha!”, como oposição a uma coisa simples. “Não, não se rasga páginas de livros,” ou “Você molhou suas calças outra vez. Você é um garotinho muito, muito malvado!” ao invés de “Vamos colocar uma roupa sequinha”. É claro que começamos a crer que éramos realmente malvados e vergonhosos. Foi o que nos disseram. A vergonha também pode ser consequência de palavras depreciadoras vindas de um pai ou de uma mãe, como “Você é gordo” ou “Você nunca chegará a lugar algum”. A vergonha também pode ser resultado da indiferença da parte de um dos pais, como não comparecer a uma formatura ou não fazer um elogio quando havia merecimento. Pode levar um bom tempo até perdoarmos e deixarmos para trás essas feridas traumáticas, mas é possível. Viver com ou sem vergonha frequentemente significa que nós minimizamos nossas conquistas. Nossos sentimentos, opiniões e necessidades parecem não ser levados em consideração. Sentimo-nos como se não tivéssemos valor e não acreditamos ser especiais. Dessa forma, nunca poderíamos fazer nada especial.
Palavras que subestimam, como “apenas” e “só” fazem parte de nosso vocabulário. Dizemos coisas como “Obtive só 92 pontos em minha avaliação” ou “Eu tenho uma casinha e um carrinho velho”. Ou podemos dizer a um amigo: “Você merece o maior pedaço de torta”. Ao usar palavras e frases como essas, estamos dizendo: “Eu não conto”, “Eu não mereço amor, eu não tenho valor”. É tão melhor dizer: “Essa foi uma das notas mais altas que já obtive em uma avaliação”, “Minha casa é confortável e aconchegante” ou “Dividiremos a torta igualmente”. Nessas últimas sentenças, a atitude positiva supera a negatividade.

A vergonha pode nos dar uma falsa segurança. Ela ajuda a construir uma parede que ninguém consegue atravessar para ver a pessoa “verdadeiramente”. Ela pode se tornar uma amiga cômoda, do tipo que pode manter os outros fora de nossas vidas. A vergonha tem raízes muito profundas e é preciso lidar com ela para que aceitemos nossa humanidade. Isso ajuda a admitir que sentimos vergonha.

Se crescemos numa família deficiente, sentíamos vergonha quando um dos pais se comportava de maneira estranha, principalmente na frente de nossos amigos. E também sentíamos vergonha quando não estávamos vestidos e alimentados como as outras crianças. Talvez nossos pais fossem pobres e isso nos causou vergonha deles e de seus comportamentos. Esse poderia ter sido o início de nosso sentimento de vergonha. Como adultos, talvez nem mesmo entendamos porque nos esquivamos do que sentimos e fazemos a nós mesmos e aos outros e do possível amor que eles têm para compartilhar. Escondermos a vergonha, até mesmo de nós, nos impedirá de nos curarmos. Continuaremos nos rejeitando e aos outros até que lidemos com a nossa humanidade. Devemos desejar nos aceitar todos os dias e não ficar desencorajados se nos frustrarmos com nossos ideais. Devemos buscar o positivo e aprender a aceitar que estamos fazendo nosso melhor.

Mesmo que expressemos a vergonha abertamente (consciente ou inconscientemente) ela continua a crescer dentro de nós. Manter as amizades pode ser difícil. Quem quer ficar ao lado de alguém que está sempre negativo? Se gostamos cada vez menos de nós mesmos, como poderemos gostar de outra pessoa? Queremos ser perfeitos e não somos capazes de nos aceitar como imperfeitos. Não queremos acreditar que todos cometem erros.

Em Emocionais Anônimos, aprendemos a confiar em um Poder maior que nós mesmos. Aprendemos que nosso Poder Superior nos ama e nos aceita, não importa como sejamos. Aprendemos que não há problemas em cometer erros, e aceitamos que o passado ficou para trás e não pode ser mudado. O Hoje é o que importa.

Quando assistimos as reuniões de Emocionais Anônimos, nos tornamos cientes de que muitas outras pessoas têm esse mesmo problema com relação à vergonha. Ficamos sabendo como o programa de 12 Passos tem ajudado a aceitarem a si mesmos e a sua humanidade. O valor próprio dessas pessoas cresceu e elas estão encontrando uma nova autoconfiança e auto respeito. Pela primeira vez na vida de muitas delas, elas aprenderam a se valorizar.

O Emocionais Anônimos nos faz promessas que podem parecer extravagantes, mas não são. Elas têm sido confirmadas várias vezes por aqueles que lutam por uma vida melhor. Duas destas promessas são: “Descobrimos uma nova liberdade e uma nova felicidade” e “Não nos arrependemos do passado nem desejamos fechar a porta sobre ele”. Só essas duas promessas já deveriam nos encorajar. Mas há outras pelas quais trabalhar também. Existem muitas outras ferramentas úteis que fazem parte do programa, tais como os lemas: “Procure ver o lado bom”, “Conhece-te, seja honesto” e “Isto também passará”. Eles nos ajudam a focar valores importantes. Assistir as reuniões frequentemente nos mostra que “Não estamos sós”. Ouvir os outros compartilharem suas histórias de dificuldades emocionais e de como estão agora “na nova forma de viver”, nos dá uma perspectiva muito diferente da vergonha e de outras emoções. Nos ajuda a compreender que outras pessoas tiveram os mesmos problemas com a vergonha e não estão mais indefesos. A dor deles diminuiu. Nem todos os seus problemas foram solucionados, mas suas vidas melhoraram com a ajuda de um Poder Superior.


ATENÇÃO

Esse é um material de estudo sem fins econômicos, não poderá ser comercializado.






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