sábado, 12 de fevereiro de 2022

3-Como Funciona o Programa

 


               COMO FUNCIONA O PROGRAMA


                                “UM DIA DE CADA VEZ”


Não se sabe de alguém que tenha seguido nossa trajetória e tenha falhado. “Os que não se recuperaram são pessoas que não conseguiram ou não se entregaram completamente a este programa.”1 Se você está sofrendo e quer mudar, você pode. A recuperação depende de ser honesto, aberto a novas ideias, e querer tomar as atitudes certas.

Estes são os Doze Passos seguidos em nosso Programa de Recuperação:


1. Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade.

3. Tomamos a decisão de submetermos a nossa vida e a nossa vontade a Deus, como O entendíamos.

4. Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante um outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.

6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

8. Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.

10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados nós o admitíamos prontamente.

11. Procuramos através da prece e da meditação melhorar nossos contatos conscientes com Deus, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar esta vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

1Alcoólicos Anônimos (New York: Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos, LTDA, 1976), P. 58.

(Permissão para usar os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos para adaptação, concedida pelo Serviço Mundial de AA, Ltda)


Logo no início, recomendamos que você seja destemido e se entregue ao seguimento destes Passos. Mesmo se alguns deles parecerem difíceis demais, desnecessários ou incompreensíveis, você terá muito a ganhar experimentando-os. Alguns de nós tentamos nos segurar à velha maneira de pensar e agir, mas descobrimos que não cresceremos no programa até que nos entreguemos completamente e comecemos a trabalhar estes passos.

Descobrimos através deste programa um poder maior que nos ajudou a compreender e iniciar o trabalho destes passos em nossas vidas diárias. Aprendemos que não temos que entender ou trabalhar o programa perfeitamente, nós só tínhamos que fazer o nosso melhor. Através da prática diária destes passos, crescemos emocional e espiritualmente. Descobrimos quem realmente somos. Encontramos a recuperação. Você também consegue.


                                               PRIMEIRO PASSO

Admitimos que éramos impotentes perante nossas emoções — que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas


IMPOTENTES

Quando fomos pela primeira vez aos Emocionais Anônimos e ouvimos as pessoas dizerem que eram impotentes, muitos de nós nos rebelamos, certamente não éramos impotentes. Podemos ter nos recusado a dizer “impotentes” porque não gostávamos muito da ideia de impotência. Talvez tenhamos nos sentidos amedrontados ou ameaçados por esta ideia.

Talvez você também não tenha certeza se é realmente impotente perante suas emoções. Observe algumas das descrições de como a impotência afetou muitos de nós e veja se algumas delas se aplicam a você.

 Éramos incapazes de sentir ou parar de sentir algumas emoções

 Nos sentíamos desamparados e, talvez, desesperados

 Não nos sentíamos bem conosco mesmos por mais que tentássemos

 Tentamos a análise, mas não funcionou

 Não fomos capazes de mudar usando somente nossa força de vontade

 Não éramos autossuficientes por mais que quiséssemos, precisávamos de outras pessoas

 Éramos impotentes perante nossos sentimentos, positivos e negativos


— Você já teve raiva de alguém e tentou se livrar dessa raiva usando a lógica e a razão?

— Você já sentiu culpa a respeito de algo e tentou livrar-se dela justificando-a?

— Você já se sentiu sozinho mesmo com muitas pessoas em sua vida?

— Você já sentiu medo quando a razão dizia que não havia nada a temer?

— Você sempre diz ou pensa, “Por que tudo acontece comigo?


Se a resposta for sim, acreditamos que você seja impotente perante suas emoções.

Aceitarmos que somos impotentes não significa que somos ruins ou irresponsáveis em outras áreas de nossas vidas. Significa que nossas emoções estão fazendo com que nosso comportamento seja diferente daquele que gostaríamos. Quando compreendemos que somos impotentes, somos então capazes de procurar por um novo caminho e começamos a mudar. Somos capazes de enxergar nossas limitações e conhecer a realidade de nossas vidas.

INCONTROLÁVEL

Nossas vidas são mesmo incontroláveis? Pergunte a si mesmo se qualquer uma das circunstâncias abaixo se aplica a você.

 Quanto mais tentamos controlar nosso comportamento, mais descontrolados nos tornamos.

 Achamos que as pessoas que nos cercam, são responsáveis pelo descontrole de nossas vidas, mas quanto mais tentamos modificar os outros mais incontroláveis nossas vidas se tornam. Somos impotentes perante outras pessoas e não podemos modificá-las.

 Somos hipersensíveis e melindrosos sobre o que os outros dizem. Por causa de nosso egocentrismo, levamos de forma exageradamente pessoal e importante os acontecimentos corriqueiros ou as atitudes de outras pessoas.

 Não falamos com os outros porque temos certeza de que eles não gostariam de falar conosco.

 Não somos capazes de realizar tarefas corriqueiras.

 Temos tantos problemas em nossas vidas que não sabemos por onde começar.

 Nos sentimos diferentes e sozinhos.

Nossas vidas se tornaram incontroláveis por vários motivos. Solidão, vergonha, insegurança, timidez ou baixa autoestima estão frequentemente entre eles. Outros fatores também podem estar inclusos como: medo de rejeição, medo de errar, medo de não nos enquadrarmos, medo de sermos diferentes, sentimentos de inadequação, auto rejeição, egocentrismo, autonegação ou medo de envolvimento. Podemos apresentar hostilidade e ressentimentos por traumas passados.

Muitos sintomas podem indicar que nossas vidas são incontroláveis. Alguns deles frequentemente apresentam-se como doenças físicas e psicossomáticas tais como: úlceras, dores de estômago, dor de cabeça, hipertensão, doenças de pele, irregularidades cardíacas e circulatórias, enfermidade urinária e intestinal ou reclamações de dores nas costas, nos músculos e juntas. Obviamente, todos os sintomas devem ser avaliados por um médico, mas se não houver causas orgânicas que as justifiquem, devemos suspeitar de causas emocionais e começar a procurar as respostas.

O perfeccionismo compulsivo pode ser um outro sintoma. Se não conseguimos fazer algo perfeitamente, nos consideramos fracassados. Podemos reagir nos tornando passivos, simplesmente relaxamos e aceitamos tudo o que os outros fazem ou dizem. Não podemos ser felizes agindo desta maneira, então provavelmente se inicia uma tempestade dentro de nós, mas não somos capazes ou temos medo de nos impor em várias situações. Isto pode nos levar a agir agressivamente em áreas onde sentimos ter maior controle. Por exemplo, se tivermos dificuldades com colegas de trabalho ou chefia, podemos chegar em casa e descarregar nossas frustrações em nossos familiares.

Uma outra forma de reação ao nosso perfeccionismo é rejeitar qualquer coisa que os outros façam. Não aceitamos o que os outros façam ou digam. Criticamos tudo e como consequência, o relacionamento com as pessoas a nossa volta se transforma em revolta emocional.

Podemos ser nervosos, sujeitos a pânicos frequentes ou sofrer por depressão ou ansiedade. Podemos ser propensos ao acaso. Fantasiar como a vida será melhor quando as coisas mudarem. Podemos nos preocupar em demasia, tendo problemas para dormir, nos afastar de outras pessoas, ficar irritados e até mesmo maltratar as pessoas a quem amamos. Podemos achar que os outros estão falando a nosso respeito, observando todos os nossos movimentos ou que querem nos pegar. A raiva anormal e explosões temperamentais são sintomas que nos levam a perceber que algo está muito errado. Podemos nos tornar destrutivos, violentos ou homicidas. Podemos ter tendência suicida e até mesmo tentar suicídio. Para muitos nos Emocionais Anônimos, o exagero destas emoções fez com que compreendêssemos que nossas vidas estavam fora de controle.

Alguns de nós não temos problemas psicológicos definidos, mas vivemos de uma maneira que não nos traz alegria. Estamos sempre apáticos. Nós adiamos as coisas e agimos de maneira falsa. Estamos frequentemente julgando e criticando os outros porque isso parece fazer com que nos sintamos melhor a respeito de nós mesmos, porém podemos também permitir que nos tratem mal. Raramente dizemos não quando solicitados e frequentemente assumimos tarefas demais. Podemos estar repletos de auto piedade, ressentimento, raiva, ciúme, inveja, ganância, intolerância, egocentrismo ou de muitos outros sentimentos que são característicos de vidas fora de controle.

Alguns de nós tentam livrar-se de seus sentimentos racionalizando-os. Podemos também tentar várias formas de fugir de nossos sentimentos. Alguns usam como fuga as pílulas, o álcool, a comida, atividade sexual doentia, jogos de azar, compras ou o trabalho. Podemos nos focar na necessidade de resolver os problemas de outras pessoas. Até mesmo o falar, o silenciar, ler, fazer exercícios, viajar ou estudar podem ser escapismos quando realizados em excesso. Podemos ser viciados em televisão ou filmes o que nos faz esquecer do resto do mundo. Qualquer coisa usada em excesso pode interferir no equilíbrio de nossa vida e nos impedir de enfrentar e lidar com nossa dor.

Quando nossa fuga particular não funciona, procuramos em outros lugares pela ajuda que tão desesperadamente precisamos. Adotando o Emocionais Anônimos e os Doze Passos como uma resposta alternativa, estamos admitindo ter chegado ao nosso fundo do poço emocional. Isto pode acontecer de formas diferentes para cada pessoa. Alguns parecem não estar satisfeitos com a vida e procuram uma maneira de ser feliz. Alguns chegam ao desespero profundo e podem precisar de tratamento através de um profissional de saúde mental, medicamento e hospitalização. Outros ainda vem aos Emocionais Anônimos com a intenção de ajudar a alguém, mas quando estão aqui, descobrem que também precisam ser ajudados. Uma das coisas que todos temos em comum é que ao chegarmos ao fundo do poço emocional decidimos que queremos fazer alguma coisa hoje para mudar nossas vidas. Estamos doentes e cansados de nosso antigo modo de viver; estamos cansados de ser do jeito que somos. Compreendemos que nossa vida continuará sendo incontrolável se não fizermos algo para mudar.


ADMITINDO

Admitir que não somos capazes de controlar nossas vidas não é fácil. Não é fácil admitir nosso egocentrismo, auto piedade, e ressentimentos. É difícil parar de culpar os outros pelo que somos e por nossa maneira de agir. Dizemos “Se meu cônjuge fosse diferente” ou “Se não fosse pelos meus filhos, meus pais, os parentes de meu cônjuge, meu chefe, meu emprego, meus vizinhos, minha casa, meu carro, o clima –qualquer coisa ou qualquer pessoa – eu não seria / estaria assim”.

Através do Primeiro Passo, aprendemos a aceitar nossas emoções como elas são e a não permitir que elas controlem nossa maneira de agir. À medida que aprendemos a aceitar nossas emoções, nos tornamos mais aptos a administrar nossas vidas. Podemos fazer escolhas conscientes atentos em nossas emoções e não simplesmente reagir de acordo com elas e permitir que elas nos controlem. Começamos a assumir a responsabilidade por nossas vidas indiferentes a quem ou ao que pode ter nos influenciado no passado.

Este Primeiro Passo é de honestidade e humildade. Admitir nossas limitações humanas nos dá a liberdade de não mais esconder nossas imperfeições de nós mesmos e nem dos outros e consequentemente nos permite encarar a realidade da nossa situação. No início, o Primeiro Passo parece ser o passo do desespero, mas depois percebemos que é o passo da esperança. Descobrimos que não estamos sós, que existe ajuda disponível. No Segundo Passo encontramos força para restaurar nossa saúde, pois passamos a contar com uma direção espiritual e nossa esperança cresce.


                                              SEGUNDO PASSO

Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia nos devolver-nos a sanidade


Este é um passo de esperança. Já que não temos o poder para promover nosso próprio bem-estar, temos que desenvolver uma crença, e em seguida a fé, num poder maior que nós mesmos – um Poder Superior.


UM PODER SUPERIOR A NÓS MESMOS

Quando chegamos aos Emocionais Anônimos, alguns de nós não tínhamos qualquer conceito de um Poder Superior. Outros mostravam-se muito confusos sobre a natureza de Deus. Alguns consideravam Deus como algo a ser temido ou alguém capaz de nos punir. Outros acreditavam que tinham um bom relacionamento com seu Poder Superior, embora ficassem decepcionados por entenderem que isso parecia que não resolvia seus problemas emocionais. Alguns estavam à procura de alguma coisa para acreditar. Outros ainda haviam decidido que Deus não existe.

No Segundo Passo é nossa responsabilidade formular nosso próprio sistema de crença. Não precisamos seguir o caminho de mais ninguém. As pessoas que têm uma fé religiosa que lhes é confortável utilizam esta crença. Aqueles que não têm uma crença definida começam somente a explorar as possibilidades. Este passo funcionará, para cada um de nós até que tenhamos uma ideia completa de nosso sistema de crença.

Desenvolver este relacionamento poderoso nem sempre é fácil e requer que olhemos honestamente para nossos sentimentos e crenças com relação às questões espirituais. Não importa como definiremos este grandioso poder, o que temos que fazer é simplesmente desenvolver um conceito de um Poder Superior que funcione. Não importa no que ou em quem acreditaremos. O que importa é que realmente acreditemos que existe algo ou alguém com um poder maior que o nosso e que usaremos esse poder para ajudar-nos a nos recuperar.

Pode ser um Deus como o concebemos, o grupo de Emocionais Anônimos (o poder de muitas pessoas trabalhando juntas pela recuperação é um poder maior do que o de uma pessoa), a natureza (certamente uma força maior que a nossa), a ideia de princípios universais ou qualquer coisa que possamos aceitar como sendo maior do que nós mesmos.

Não mais capazes de controlar nossas vidas, de viver em paz conosco e com os outros fomos forçados a recorrer, em desespero, a um Poder Superior. Tudo – nosso crescimento em Emocionais Anônimos, a serenidade, felicidade e bem-estar — dependem de nossa fé em um poder maior do que nossos próprios recursos limitados. A fé e a confiança são a crença em um poder maior que nós mesmos. Não temos que fazer mudanças drásticas para alcançar a ajuda de nosso Poder Superior. Este poder está disponível para nós exatamente aonde estivermos. Se tivermos dificuldade em desenvolver este relacionamento, podemos começar acreditando em outro ser humano, talvez um padrinho, uma madrinha ou qualquer outra pessoa de nosso grupo de Emocionais Anônimos.

O Segundo Passo requer que admitamos a existência de um poder maior que nós mesmos. Uma vez que entendamos que não somos os todo-poderosos, conseguiremos parar de tentar ser Deus e permitir que Deus seja Deus.

Muitos de nós descobrimos através dos Doze Passos que o nosso conceito de Poder Superior se desenvolve num profundo relacionamento pessoal com um ser espiritual, um relacionamento que não era possível antes de praticar o programa. Um paradoxo do programa é que sendo impotentes, encontramos um poder para nos ajudar.


VIEMOS A ACREDITAR

Primeiro viemos a uma reunião onde vimos pessoas em recuperação. Começamos a acreditar que havia ajuda disponível. Alguns de nós tomamos consciência de nossa baixa autovalorização. Não nos achávamos dignos de ajuda de um grupo ou de um Poder Superior. Depois viemos a entender que éramos todos iguais e tão importantes e valiosos quanto qualquer outra pessoa. Sim, nós também éramos merecedores de ajuda. No início, éramos muito céticos com relação a este passo, mas compreendendo que tínhamos pouco a perder, corremos o risco de acreditar. Com o tempo, viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos restaurar a sanidade, de acordo com nossa boa vontade e colaboração.

À medida que examinávamos nossa vida espiritual, muitos de nós percebíamos como estávamos desafiando Deus, talvez porque Ele não nos tivesse dado o que pedimos em nossas orações no passado, talvez por termos passado por um sofrimento ou desapontamento, pensáramos que Deus nos tivesse abandonado. Podemos ter ficado doentes e pedido a Deus que nos curasse, mas achamos que nada aconteceu.

Alguns de nós sofremos abusos de nossos pais ou de outras figuras autoritárias, e por isso temos dificuldade de ver Deus como um pai amoroso. Podemos desafiar as questões espirituais por termos medo de abandonar o nosso controle.

Nos Emocionais Anônimos encontramos um Poder Superior que ajuda e socorre. Aprendemos a abandonar nossas velhas crenças destrutivas e buscar nosso próprio entendimento das questões espirituais. Descobrimos que assistindo às reuniões e trabalhando o programa poderíamos aceitar novos princípios e descartar os falsos ou prejudiciais para nós.

Quando entramos para o programa, alguns de nós pensávamos que estávamos cheios de fé. Nós orávamos, frequentávamos a igreja regularmente e fazíamos o que achávamos ser correto. Estávamos convencidos de que desde que tentássemos ser bons membros de nossa religião em particular, nossas vidas não seriam tão atribuladas. Descobrimos que o que realmente importa é a qualidade e não a quantidade de nossa fé. Aprendemos que a crença não se transforma automaticamente em fé. Podemos acreditar em Deus, embora não acreditemos que Ele nos ajudará. Reconhecemos que a prática da nossa fé precisava ser mais vital. Abrimos nossas mentes para um relacionamento novo e mais relevante com nosso Poder Superior. Outros de nós olhávamos com inveja para os que já acreditavam. Achávamos que eram pessoas de sorte. Talvez frequentando às reuniões iríamos acreditar também. Mas aprendemos que a crença não acontece ao acaso, temos que trabalhar para isso. Temos que desejar investir tempo e abrir nossas mentes investigando como desenvolver o conceito de um Poder Superior que dê resultado para nós. Com a crença vem a fé e o desejo de confiar em algo anteriormente desconhecido, de confiar em um Poder Superior para nos restaurar àquela sanidade que tão desesperadamente desejamos.

Acreditar num poder maior que nós mesmos é diferente de ter fé em um Poder Superior. Não adianta simplesmente desejarmos ter mais fé. Para desenvolvê-la temos que usá-la. Demonstramos ter pouca fé se continuarmos agarrados aos nossos medos e ansiedades. Quando reconhecemos que isso está tornando nossas vidas incontroláveis e que somos impotentes, entregamos ao Poder Superior. Acreditamos que nosso Poder Superior cuidará de nós. A fé vem quando vemos os milagres de nosso Poder Superior trabalharem em nossas vidas e na vida de outras pessoas. Milagres não são apenas os grandes e maravilhosos eventos. Adquirimos fé quando olhamos o que está acontecendo em nossa volta e começamos a ver cada presente ou intervenção simples que é um milagre produzido por nosso Poder Superior. À medida que começamos a reconhecer isso e dar crédito ao nosso Poder Superior, nosso entendimento, confiança e fé, crescem. Nossas vidas podem melhorar sem a crença em um Poder Superior, mas não conseguiremos alcançar a suprema serenidade sem crer verdadeiramente em um poder maior que nós mesmos.


RESTAURAÇÃO DA SANIDADE

Restaurar significa trazer de volta a saúde e a força. Que maravilhoso! Alguns de nós se recordam de ter tido um bem-estar emocional. Alguns não conseguem se lembrar da época em que não se sentiram em vantagem na vida. Nos sentimos bem ao lembrar que, em algum momento do passado, nos sentimos sãos e que isso pode acontecer novamente. Nosso senso perdido de bem-estar pode nos ser devolvido. Este é o sentido da esperança oferecida no Segundo Passo.

O sentido da palavra sanidade no Segundo Passo é difícil de ser aceita por alguns de nós. Sanidade é o pensamento são, é o senso comum. O dicionário descreve sanidade como um comportamento razoável. Precisamos olhar para nosso comportamento no passado – explosões temperamentais, raiva descontrolada, comportamentos compulsivos, silêncio, sono excessivo ou qualquer outro excesso – para saber que nosso comportamento certamente não era são e nem racional.

Ouvimos os outros se referirem a insanidade não como demência ou completa loucura, mas como a repetição das mesmas ações ou comportamentos várias e várias vezes esperando por resultados diferentes. Depois de pensarmos um pouco sobre o assunto, tivemos que admitir que a palavra sanidade era apropriada.

Quanto mais plenamente admitirmos que precisamos ter nossa sanidade restaurada, mais buscaremos ajuda de nosso Poder Superior como solução para os nossos problemas e dificuldades. Quanto mais plenamente acreditarmos que nosso Poder Superior pode nos restaurar a sanidade, mais buscaremos essa ajuda e mais desejaremos tomar a decisão, em nosso Terceiro Passo, de submeter nossas vontades e nossas vidas ao nosso Poder Superior.


                                          TERCEIRO PASSO

Tomamos a decisão de submetermos nossas vontades e nossas vidas aos cuidados de Deus como O entendíamos


O Terceiro Passo solicita que demonstremos nossa fé. Nós não só aceitamos a ideia de um Poder Superior que pode nos ajudar, mas também permitimos que este poder espiritual dirija nossas vidas. Paramos de lutar e resistir. Nos rendemos e nos entregamos a Deus.

Agora temos a oportunidade de construir uma nova vida. Enfrentamos nosso dilema e entendemos que quanto mais negamos ou lutamos com nossos sentimentos, mais somos encurralados pela depressão, ansiedade e medo. Tínhamos que parar de tentar ser autossuficiente se quiséssemos melhorar. Olhando para nossas vidas percebemos que não tínhamos realizado esse grande trabalho por conta própria. Uma vez que as emoções não são coisas palpáveis, devemos admitir que não podemos nos modificar usando apenas nossa força de vontade.

Os três primeiros passos são essenciais. A aceitação de nós mesmos, dos outros e de nossa situação, é a base destes três passos. É através deles que estabelecemos o alicerce para trabalhar o resto do programa. Portanto, voltamos a eles de tempos em tempos.

Aceitação não é apatia. Aceitação é dizermos: “Este sou eu, isto é o melhor que eu posso fazer hoje. Pare de lutar”. Entretanto, aceitação não significa que nos conformamos com um destino cruel. Significa simplesmente que podemos viver hoje sem lutar com as coisas que não podemos modificar. A apatia diz, “Eu desisto. Não vale a pena. Eu não me importo, eu não quero tentar”. A apatia demonstra a pouca consideração que temos com nós mesmos. Ela nos dá a visão distorcida de que não existe esperança para nós. A aceitação nos deixa livres para mudarmos. A apatia nos mantém presos em nossa doença emocional e espiritual.

Precisamos começar a praticar este Passo em momentos de indecisão ou aflição emocional, fazendo a prece da serenidade:

“Senhor conceda-me a serenidade necessária para aceitar as coisas

que eu não posso modificar, coragem para modificar as coisas que eu posso

e sabedoria para reconhecer a diferença.”


TOMAMOS UMA DECISÃO

Apesar de toda a esperança que sentimos por nossa possível recuperação, muitos consideram difícil, esta decisão do Terceiro Passo. Alguns de nós queremos fortes garantias antes de decidir fazermos nossa entrega ao nosso Poder Superior, outros têm medo de assumir tal compromisso. Não temos a certeza de conseguirmos corresponder às expectativas deste compromisso.

E se assumirmos este compromisso e as coisas não saírem da maneira que queremos? Depois de estarmos no programa há algum tempo, compreendemos que, se quisermos progredir, teremos que tomar esta decisão. Assistimos o quanto a vida de outros se torna melhor quando eles acolhem este Passo. Nós também podemos decidir acolhê-lo.

Quando tomamos a decisão de submeter nossas vidas a um Poder Superior, nos sentimos bem com isso.

Podemos ficar preocupados ou temerosos de não sermos aceitos por nosso Poder Superior. Entretanto logo aprendemos que, quando nos rendemos totalmente exatamente como estamos – com sintomas, sentimentos, imperfeições – o caminho se abre para que nosso Poder Superior nos supra com aquilo que precisamos.

SUBMETEMOS NOSSA VONTADE E NOSSAS VIDAS

Descobrimos que não podíamos viver por nós mesmos, muitos de nós haviam tentado e falhado. A força de vontade nunca obtém o sucesso que esperamos. Afinal, as outras pessoas também têm força de vontade e nós sempre nos encontramos em conflito com elas quando opomos nossa vontade à delas. Em nossa tentativa de controlar situações podemos mostrar generosidade, auto sacrifício, consideração ou gentileza, mas frequentemente somos guiados pelo medo, ressentimento, auto piedade ou auto desilusão e acabamos espezinhando os outros. Eles podem revidar e nos ferir.

Percebemos que nossas palavras e ações sempre nos colocam numa posição que permite sermos magoados. Temos que admitir que, em certos casos, nossos problemas são basicamente criados por nós mesmos. Eles originam-se da má orientação de nossa vontade própria embora frequentemente não reconheçamos isso. Na verdade, ao reagir a nossas emoções cegamente, nossa vontade própria ocorre de maneira exagerada, causando-nos um comportamento adoentado. É essencial que nos livremos deste egocentrismo, mas somos incapazes de fazê-lo somente desejando que ele vá embora ou através de nossa força de vontade. Precisamos ter a ajuda do nosso Poder Superior.

Antes que possamos submeter a nossa vontade ao Poder Superior, temos que desistir da ideia de que devemos ser autossuficientes. Tomar esta decisão demonstra um compromisso com o uso do programa. Estamos querendo tentar algo novo. Entretanto, não podemos cruzar os braços e dizer, “Deus, faça tudo”. À medida que Deus nos fortalece, somos nós que temos que agir e fazer as mudanças necessárias para conquistar uma vida mais saudável.

Não adianta analisar o desejo de Deus. Nem sempre sabemos qual é a vontade de Deus para conosco, e mesmo que saibamos, não importa. À medida que desenvolvemos uma parceria com nosso Poder Superior e começamos a nos conhecer, começamos a reconhecer a direção que parece espiritualmente correta para nós.

A chave para trabalhar este passo é desejar submeter nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, como nós O entendemos. Podemos relutar em fazer isto até atingirmos um grau de confiança de que nosso Poder Superior cuidará verdadeiramente de nós.

Desenvolver relacionamentos de atenção e confiança com outras pessoas, abre o caminho para, muitos de nós, confiarmos em nosso Poder Superior. Inicialmente, precisamos decidir renunciar àquelas partes de nossas vidas que estão causando maior dor. A partir daí podemos construir nossa confiança conforme vemos mudanças positivas acontecerem em nossas vidas 


DEUS COMO O CONCEBEMOS

Para aqueles de nós que tem sentimentos negativos sobre religião e Deus, este Passo é um bloqueio em potencial. Podemos aceitar muitas das ideias do Segundo Passo, mas alguns de nós sentimos que esta definição específica de um Poder Superior, está distante demais. Se nos sentirmos ofendidos ou incapazes de usar as palavras “Deus” ou “Ele”, podemos escolher outras palavras que funcionem melhor para descrevermos nosso Poder Superior. Precisamos lembrar que somos livres para definir nosso Poder Superior da maneira que desejarmos.

Muitos de nós temos acreditado desde a infância, em um Deus de medo e punição. Achamos que para Deus nos aceitar, devemos ser obedientes e batalharmos pela perfeição. Uma vez que Deus está nos observando e sabe de nossos erros, certamente nunca estaremos à altura quando o juízo final chegar. Nos sentimos julgados. Com este conceito de Deus, pode ser muito difícil olhar para este passo e pensar em submetermos nossa vontade e nossas vidas à Deus. Precisamos de uma imagem de um Poder Superior cuidadoso que possa nos restaurar a sanidade e nos dar força para mudar. Se não tivermos o conceito de um Deus amoroso, pedimos ao nosso Poder Superior para nos ajudar a desenvolver um. Começamos a ter o desejo de examinar nossas crenças espirituais e aprender a confiar em um Poder maior que nós mesmos.


AOS CUIDADOS DE DEUS

Quando nos rendemos, muitas coisas extraordinárias acontecem. Sendo cuidadoso e todo poderoso, Deus providencia o que precisamos assim que nos rendemos. Encontramos coragem onde antes não tínhamos.

À medida que nos tornamos mais seguros nesse relacionamento poderoso, perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos menos focados em questões mesquinhas. Somos libertos da agonia de tentar sermos Deus. Nós liberamos a Deus a responsabilidade de dirigir nossas vidas e as vidas das pessoas que nos rodeiam. Nos sentimos menos ressentidos e defensivos. Nos tornamos interessados em contribuir com a vida ao nosso redor.

Assim que experimentamos este novo poder em nossas vidas, começamos a desfrutar de paz de espírito. Quando descobrimos que podemos encarar a vida mais facilmente, nos tornamos mais conscientes de nosso Poder Superior trabalhando em nossas vidas. Começamos a perder o medo do passado e do futuro. Começamos a viver um dia de cada vez.

Podemos nos colocar agora sob os cuidados de Deus fazendo este humilde pedido:

“Deus, eu me ofereço ao Senhor, para fazer de mim e comigo o que desejar. Me ajude a abandonar meu egocentrismo, assim reconhecerei melhor a Sua vontade para comigo. Ajude-me a superar minhas dificuldades para que os outros possam ver como seu amor, sabedoria e força me permitem mudar. Obrigado por estar comigo. Possa eu fazer sempre a sua vontade”2.

Descobrimos um Deus amoroso. Finalmente podemos nos abandonar inteiramente e nos colocar aos cuidados de nosso Poder Superior. Agora, estamos prontos para a ação enérgica do Quarto Passo.


                                       QUARTO PASSO

“Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos “


Nossa fé em um Poder Superior, juntamente com nossa decisão de permitir que este Poder Superior nos guie, oferecem a coragem necessária para fazermos um inventário pessoal. Este inventário é um olhar honesto para nós mesmos, talvez, pela primeira vez. É um olhar muito necessário. Tentamos ser os mais objetivos possível pois precisamos desta informação para nossa recuperação.

Podemos querer definir direções sobre como fazer o inventário, entretanto, há muitas maneiras de proceder. Conversar com pessoas que fizeram os delas ou ver os manuais que estão à disposição, podem nos dar ideias. Cada um faz seu inventário pessoal da maneira que lhe parecer melhor. Entretanto, não devemos permitir que o perfeccionismo entre neste passo. Não existe uma maneira perfeita de fazermos nosso inventário, às vezes adicionamos mais coisas a ele conforme nossa honestidade, sobre nós mesmos e isto cresce ao longo da recuperação. O importante é começar.

Um inventário completo e saudável, geralmente inclui um equilíbrio entre qualidades e defeitos. Ao fazer nosso inventário pessoal escrevemos nossos traços característicos, tanto positivos quanto negativos. É necessário que tenhamos uma imagem real de nós mesmos, desta forma procuraremos nossas forças e também nossas fraquezas.

É importante escrever este inventário para que consigamos uma avaliação honesta. Será menos provável que racionalizemos ou esqueçamos do que está escrito, e, portanto, podemos lidar com os problemas mais objetivamente.


EXAME MINUCIOSO

Tentamos abranger honesta e completamente todos os aspectos de nossas vidas. Listamos experiências e comportamentos do passado que nos incomodam. Não excluímos nada conscientemente. Embora às vezes pareça que os sentimentos que listamos são defeitos de caráter, não são. Os sentimentos não são bons nem maus. Descobrimos que a maneira que temos reagido às nossas emoções tem modelado nosso caráter e nosso comportamento no mundo. Precisamos olhar honestamente para as crenças e atitudes nas quais nosso caráter está baseado. Descobrimos as razões que nos fazem sentir que temos falhado.

A honestidade traz auto aceitação e uma compreensão realista de onde e como podemos mudar. Não temos defeitos exclusivamente nossos, somos todos humanos. Qualquer coisa que admitamos, sobre nós, conscientemente pode ser mudada. É necessário que olhemos para nosso interior.


DESTEMIDO

Coragem é o que precisamos para seguir em frente e fazer nosso inventário. Ser destemido significa aceitar o desafio de ser franco e honesto ao olhar para nosso interior, indiferente a nossa relutância ou compreensão. Nosso Poder Superior nos dá a coragem para fazer isto.

Às vezes, à medida que prosseguimos com nosso inventário, surgem alguns sentimentos desagradáveis e embaraçosos. Olhar para nós e para nosso passado pode trazer sentimentos encobertos à superfície. Isto nos ajuda a lembrar que nossa fonte de apoio e direção para concluir este inventário, é nosso Poder Superior. Podemos precisar parar por um tempo, falar com alguém ou voltar ao Terceiro Passo.

Quanto mais irreal for a imagem que fazemos de nós mesmos, mais difícil será expor nossos defeitos. Todo processo de cura é doloroso e o único caminho para nos libertarmos da dor é irmos até o fim. À medida que crescemos e encaramos nossa dor no Quarto Passo, abre-se o caminho para a serenidade.


INVENTÁRIO MORAL

Moralidade é nosso senso de certo e errado. É uma reflexão exterior de nosso próprio interior. Nossos preconceitos, intolerâncias, críticas, medos e culpas, são parte de nossa moralidade bem como egocentrismo, egoísmo e ressentimento. A moralidade vem de crenças e atitudes que se iniciam em nossa infância e nós aceitamos como verdades. Algumas destas crenças podem ser errôneas.

Nossas atitudes podem ser fantasiosas ou baseadas em condições que não existem mais em nossas vidas. Podemos viver mais de acordo com a moralidade de alguém do que com a nossa. Assim que descobrimos no que realmente acreditamos, estamos mais aptos a agir de acordo com essas crenças. O propósito deste inventário é descobrir esses comportamentos ineficientes que desenvolvemos e ver de que maneira temos sido controlados por eles.

Entre as coisas importantes com as quais lidamos em nosso inventário, estão os ressentimentos. Estes sentimentos ruins para com as outras pessoas ou instituições destroem a nossa paz de espírito. Quando nos ressentimos com alguém ou algo, nós inconscientemente permitimos que esse alguém ou algo nos controle. Isso nos machuca, embora possa não ferir a pessoa pela qual estamos ressentidos. Ela provavelmente nem está a par disto.

Nutrir profundos ressentimentos só nos levam a uma vida de frustração e infelicidade. Por causa disto, listamos em nosso inventário os ressentimentos que temos com relação a outras pessoas, instituições ou princípios. Perguntamos a nós mesmos por que ainda estamos irados com relação a elas. Depois, descrevemos como estes ressentimentos tem afetado nossa maneira de pensar, sentir ou agir. É nosso orgulho, nosso amor próprio, ambição, relacionamentos pessoais ou segurança financeira que está ferindo ou ameaçando? Se pudermos identificar a emoção que origina isto, nós a escrevemos.

Alguns exemplos:

 Estou ressentido com meu chefe porque ele nunca me dá uma resposta positiva, é crítico, promove qualquer outra pessoa menos eu. Isto afeta minha segurança financeira, meu amor próprio, meu orgulho e meu relacionamento com os colegas de trabalho. Eu me sinto um fracassado em meu trabalho: tenho medo do fracasso.

 Estou ressentido com meus pais porque eles me tratam como uma criança, não respeitam minhas habilidades queixam-se de que eu nunca escrevo nem telefono. Isto afeta meu orgulho, relacionamentos familiares, amor próprio, afeição por eles. Sinto que não sou aceito como sou e que devo ser quem eles querem que eu seja: tenho medo de rejeição.

 Estou ressentido com meu carro porque ele é muito chato, está sempre quebrando. Eu não tenho condições de comprar um novo. Isto afeta meu orgulho, meu senso de segurança e independência. Sinto que fui um idiota em comprá-lo e que pareço um idiota para os outros: tenho medo de tomar decisões.

Olhando os exemplos acima vemos a palavra medo em todos eles.

Em muitos casos, o medo é a primeira emoção a tomar posse. O medo é o resultado das ameaças ao nosso amor próprio, orgulho e bem-estar. Quando olhamos para nossos ressentimentos, descobrimos que eles são geralmente uma reação ao medo. Não gostamos de sentir medo então nós o encobrimos com ressentimentos, o que nos dá a falsa sensação de estarmos no controle.

Em nosso inventário listamos nossos medos, revisamos nossa conduta passada para ver qual destes medos tem influenciado nosso pensamento, controlado nosso comportamento e afetado nosso relacionamento com outras pessoas.

— O medo nos faz ser egoístas, desonestos ou imprudentes? O que nos tem ferido? Nos sentimos culpados? Sentimos ciúme, desconfiança ou rancor injustificavelmente? Escrevemos tudo isto.

Ao crescermos podemos ter adquirido culpa, vergonha ou timidez por nossos pensamentos, sentimentos e experiências sexuais. Fazer nosso inventário nos ajuda a trazer estes fantasmas atormentadores à tona e a ser honesto sobre nossas experiências sexuais, pensamentos e sentimentos. Teremos que parar de julgar os outros e a nós mesmos. Esconder esta culpa e vergonha só nos impede de ficar bem. Continuaremos a rejeitar a nós e aos outros até aceitarmos nossas limitações humanas.

Continuando nosso inventário, listamos todos os outros aspectos pessoais que precisamos observar. Se guardamos profundos segredos, também os escrevemos. Qualquer coisa, quando consciente, pode ser trabalhada por completo. Estas atitudes ou comportamentos negativos são defeitos de caráter e são as forças motrizes por trás dos erros que temos cometido. Por exemplo, negar nosso sentimento de auto piedade encoraja nossa atitude do tipo “pobre de mim, a vida está tão dura”. Ao compreendermos isto nos conscientizamos de que nos sentimos deste modo porque somos humanos e não porque somos maus. Conseguimos aceitar que esta característica é parte de nós no presente.

Um defeito de caráter se tornará menos do que um problema assim que estivermos dispostos a trabalhar os Quinto, Sexto e Sétimo Passos.


NOSSO PRÓPRIO INVENTÁRIO

Enquanto escrevemos nosso inventário, nos concentramos somente em nós mesmos. Este é nosso inventário e não o de outra pessoa. Consideramos somente nosso envolvimento nas situações mesmo quando alguma coisa possa não ter sido inteiramente falha nossa. Fazendo isto ficamos atentos em como somos egocêntricos e como nosso ego nos mantém neste egocentrismo. Vemos onde temos contribuído para nossas dificuldades sendo egoístas, desonestos, interesseiros e medrosos.

Se formos completos em nosso inventário pessoal, escreveremos muito. Lidamos com nossos ressentimentos e medos e começamos a ver quanto eles são terrivelmente destrutivos. Conforme registramos coisas no papel, nos tornamos mais capazes de enxergar nossas falhas e admitir nossos erros. Registramos as pessoas a quem temos ferido com nosso comportamento e usamos esta lista mais tarde em nosso Oitavo Passo. Começamos a aprender a tolerância e paciência com relação a nós e aos outros.

Através deste honesto inventário pessoal, ficamos mais cientes de nossa humanidade. Começamos a ver os defeitos de caráter que nos constrangem, que nos causam dificuldades para conosco e para com os outros. Também procuramos nossas qualidades porque nosso objetivo é construir uma imagem saudável e realista de quem somos. Listamos nossas boas qualidades, apesar das dificuldades que possam ser admitidas logo no início e ficamos surpresos em ver quantas existem!

Com esta evidência tangível de nossa disposição de olhar para nós mesmos honestamente, estamos prontos para seguirmos para o Quinto Passo.


                                           QUINTO PASSO

Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.


Todos os Doze Passos de Emocionais Anônimos nos pedem para irmos contra nossas inclinações normais. Todos eles esvaziam nossos egos e este passo talvez seja o maior de todos eles neste sentido. Aqui estamos nós, sendo solicitados a admitir exatamente o que temos feito de errado, não só para nós e para Deus, mas também para uma outra pessoa. Não foi suficiente escrever nosso inventário no Quarto Passo. Temos que falar sobre estas coisas – oralmente e pessoalmente. Por mais perturbador que pareça, este processo provará ser um grande benefício em nossa recuperação. O Quinto Passo é absolutamente necessário como suporte para a serenidade e paz de espírito. Ficar pensando sobre este Passo não trará benefício algum, temos que reunir coragem mais uma vez e partir para a ação.


ADMITINDO

Já admitimos nossos erros escrevendo nosso inventário, mas a auto avaliação solitária não é suficiente. Por exemplo, excesso de culpa pode nos fazer exagerar em nossas falhas e ansiedade ou orgulho podem fazer com que minimizemos nossos defeitos. Às vezes nosso egocentrismo e comportamento, nos fazem pensar que as outras pessoas estão erradas ou sentimos um medo e uma tensão constante que nos fazem querer fugir da realidade. Admitir quem realmente somos, para uma outra pessoa, é a única maneira de termos um retrato fiel de nós mesmos.

Se formos honestos ao escrever nosso inventário, podemos ter incluído algumas lembranças perturbadoras e humilhantes que esperamos ser mantidas em segredo pois temos certeza que ninguém jamais nos entenderia ou aceitaria se soubesse o que fizemos ou o que nos aconteceu, por isso nos preocupamos em compartilhar nosso inventário como nos é pedido neste passo. Podemos nos sentir solitários ou isolados, o que é mais uma razão do porquê que precisamos admitir estas coisas para uma outra pessoa.

Admitir a verdade para nós mesmos nos permite entrar em novos relacionamentos conosco e com nosso mundo. Admitir significa tomar conhecimento das áreas que precisamos mudar.


A NATUREZA EXATA DE NOSSAS FALHAS

É necessário compartilhar os exemplos específicos que escrevemos no Quarto Passo, não para dizer simplesmente que nos sentimos ressentidos, temerosos e culpados. Nós temos que lidar com a natureza exata de nossas falhas revelando-as para uma outra pessoa. A maneira mais fácil e certeira de ser específico é ler em voz alta para uma outra pessoa o que escrevemos. Desta maneira não deixaremos que nada escape.

Quando fizermos nosso Quinto Passo, nós superaremos tudo o que estiver em nosso inventário. É necessário compartilhá-lo completamente, pois, se omitirmos algo conscientemente, prolongaremos nosso sofrimento. Se estivermos determinados a melhorar, seremos honestos. Não ocultando nada, estaremos a caminho da recuperação.


PERANTE DEUS, PERANTE NÓS MESMOS E PERANTE UMA OUTRA PESSOA

É importante admitirmos nosso inventário perante Deus, perante nós mesmos e perante uma outra pessoa. Se excluirmos um destes três, nosso quinto passo não propiciará a fundação sólida de que precisamos para o restante do programa. Da mesma forma que uma cadeira ou uma mesa não podem manter-se em pé sem uma de suas pernas, também nossa recuperação não poderá se manter se não tivermos revelado nosso inventário para uma outra pessoa, para nosso Poder Superior e para nós mesmos.

Por termos desenvolvido uma parceria com nosso Poder Superior, nos Segundo e Terceiro Passos, nos parece menos embaraçoso compartilhar nossos segredos e traços negativos de nosso caráter com Ele do que com uma outra pessoa. Afinal, Deus sabe tudo o que fizemos e mesmo assim Ele ainda nos ama e nos aceita. Muitas pessoas, ao fazer o Quinto Passo, iniciam com uma oração — pode ser a Oração da Serenidade —como uma forma de convidar nosso Poder Superior a tomar parte neste Passo.

Contando para outra pessoa e consequentemente ouvindo a nós mesmos, é que começamos a tomar ciência de quem verdadeiramente somos. Aqui, nós não tentamos manter aquela aparência pública que não se ajusta com o nosso verdadeiro eu. Sendo honestos com outra pessoa, confirmamos estarmos sendo honestos conosco mesmos e com Deus.

O Quinto Passo é melhor trabalhado com uma pessoa que tenha um certo conhecimento em programas Doze Passos porque é muito importante que esta pessoa entenda o que estamos tentando realizar. Não queremos que esta pessoa arranje desculpas para nosso comportamento ou tente nos consertar, mas simplesmente que seja testemunha de nosso honesto inventário.

A pessoa do nosso Quinto Passo pode ser um membro de um programa doze passos ou um conselheiro, clero, médico ou similar. Embora esta pessoa possa dar discernimento, encorajamento ou sugestões, ela será, antes de mais nada, uma ouvinte. Para que esta experiência seja positiva e tenha sucesso, é importante que esta pessoa seja digna de confiança e compreensiva, alguém que não trairá nossa confiança e com quem nos sintamos a vontade. Esta pessoa também deve ser do tipo que aceita e não que julga.

Nós ganhamos muito quanto completamos o Quinto Passo. Nos livramos de nós mesmos, de nosso isolamento e solidão. Adquirimos um sentimento de sermos parte de algo, um senso de afinidade com outras pessoas e uma proximidade com nosso Poder Superior.

Alguns experimentam a experiência imediata de um sentimento de alívio uma vez que nosso medo e dor diminuem, e uma tranquilidade curadora toma conta de nós. Outros se sentem radiantes e vivos, como se “estivessem nas nuvens”. Por termos sidos conduzidos por uma pessoa compreensiva e de boa aceitação no Quinto Passo, nós compreendemos que Deus realmente nos ama. Muitas das pessoas que cumprem este passo, na verdade, sentem a presença de um Poder Superior pela primeira vez. Até mesmo aqueles que já tem fé ganham uma consciência de Deus que não tinham antes.

Em outros casos o alívio chega mais gradualmente e não com um sentimento de alívio repentino. Geralmente nos dias que se seguem, percebemos que as coisas não nos aborrecem tanto e nos sentimos melhor com relação a nós mesmos. O terrível peso da vergonha foi retirado e um senso de paz nos invade.

Conforme experimentamos apoio e compaixão vindos da pessoa com a qual partilhamos nosso inventário, nos sentimos perdoados. Ao mesmo tempo, compartilhando honestamente o que descobrimos sobre nós mesmos nos ajuda a nos perdoar e perdoar os outros.

Imediatamente após o Quinto Passo, muitos de nós buscam um lugar quieto para rever cuidadosamente tudo o que dissemos. Agradecemos a nosso Poder Superior pela força e coragem que Ele nos deu. Sentimos gratidão pelo grau de confiança alcançado em nosso relacionamento com nosso Poder Superior como o entendemos.

Agora que adquirimos mais autoconsciência e dividimos esta consciência, estamos prontos para os Passos que se seguem no programa.


                                               SEXTO PASSO

“Nos prontificamos inteiramente a que Deus removesse todos estes defeitos de caráter”


Fazendo nosso inventário no Quarto Passo e compartilhando-o no Quinto Passo, aprendemos muito sobre nós mesmos. Por trás de nossos ressentimentos, medos e falhas, descobrimos alguns defeitos de caráter. Estes defeitos de caráter são nossos hábitos negativos de pensar e agir, nossas reações automáticas com relação a vida, nossas atitudes ineficientes. Agora, no Sexto Passo, nós nos empenhamos em identificar estes defeitos de caráter e querer removê-los.


ESTÁVAMOS INTEIRAMENTE PRONTOS

Isto parece muito simples, pois todos nós estamos prontos para nos livrar das características que tornam nossas vidas incontroláveis, não é? Claro que estamos prontos. Entretanto, a natureza de nossa doença faz com que isso não seja tão fácil quanto esperamos. Presumimos que seja fácil mudar — agora que realmente nos compreendemos — mas frequentemente ficamos surpresos ao descobrir o quanto é difícil, na verdade, mudar nossos padrões de pensamentos, atitudes e ações.

Estamos tão acostumados com nossos defeitos que não queremos nem pensar em nos livrar deles. Eles têm feito parte de nossas vidas há tanto tempo que dependemos deles. Dependemos de alguns defeitos para nosso senso de identidade ou para manter a ilusão que temos o controle de nossas vidas. Algumas vezes racionalizamos que alguns deles são insignificantes e que não causam verdadeiramente tanta dificuldade. Entretanto, o Sexto Passo é muito claro, devemos estar prontos para que todos os nossos defeitos de caráter sejam removidos.

Não podemos nos agarrar a eles e achar que nunca os abandonaremos. Para que continuemos progredindo em nosso crescimento espiritual e emocional, temos que nos preparar para deixar nossas atitudes ineficientes e permitir que Deus nos ajude a mudar 

Assim que nos concentrarmos no Sexto Passo, nos conscientizaremos do quanto nossos defeitos de caráter estão profundamente enraizados. O processo de fazer nosso inventário nos revelou quantos de nossos defeitos de caráter foram desenvolvidos como forma de defesa por motivo de alguma injustiça ou trauma que tenhamos sofrido no passado.

Pela profundidade das raízes de nossos defeitos, fica claro entender que neste estágio não estamos aptos a encarar todos os nossos defeitos de uma só vez. Contudo, temos que nos esforçar com o objetivo de nos preparar totalmente para que eles sejam removidos, geralmente fazemos isso aos poucos, removendo um de cada vez. Para isto, precisamos de paciência e persistência, já que esta transformação de caráter é um processo para a vida toda.

Também temos que aceitar que provavelmente nunca chegaremos à perfeição por praticar este Passo. Aceitar isto é o início da preparação para deixarmos um de nossos maiores defeitos de caráter, a necessidade de sermos perfeitos.

Às vezes parece que por mais que nos esforcemos, os comportamentos, as atitudes e os pensamentos negativos continuam a nos aborrecer. Para superá-los, não podemos só desejar, mas sim realmente querer viver de uma maneira diferente. A chave para nós é disposição, enquanto estivermos tentando nos preparar para que nossos defeitos sejam removidos, não há uma maneira deles desaparecerem por conta própria. Para isto, oramos pedindo disposição, para que sejam removidos.


DEUS REMOVE TODOS OS DEFEITOS DE CARÁTER

Iniciamos pelo defeito que nos causa maior dor. Reduzir nossa dependência dele nós deliberadamente o substituiremos, o quanto for possível, pelo caráter de qualidade oposta. Por exemplo, se o problema for protelação tentaremos fazer as coisas em tempo adequado. Agimos como se este defeito de caráter já tivesse sido removido. Nos conscientizando de nossas escolhas saudáveis em nossos pensamentos e ações, demonstramos ao nosso Poder Superior e a nós mesmos que, de fato, estamos prontos e desejamos que nossos defeitos sejam removidos. Aqui, temos outra oportunidade de abandonar nosso desejo próprio. Se nos apegarmos aos nossos defeitos de caráter, faremos o que desejamos, se os deixarmos ir faremos o que Deus quer.

A maioria de nós quer a melhora para ontem. Entretanto, não ficamos doentes do dia para noite, assim não podemos esperar que fiquemos bons em pouco tempo. Enquanto seres humanos somos limitados no poder que possuímos, por este motivo devemos seguir até o Sétimo Passo e rogar humildemente a Deus, como O entendemos, para que nos ajude na remoção de nossas ações e atitudes que estão profundamente enraizadas.


                                             SÉTIMO PASSO

“Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições”


No Sexto Passo nos preparamos para que nossos defeitos de caráter fossem removidos por Deus, como O entendemos. Fizemos isto nos tornando conscientes de nossos defeitos e desenvolvendo a disposição para deixá-los. Tentamos alinhar nossos desejos pessoais com os de nosso Poder Superior. No Sétimo Passo continuamos este processo rogando a Deus que remova nossas falhas. As falhas são as ações causadas por nossos defeitos. Estes comportamentos demonstram aonde temos falhado para que alcancemos nosso potencial. Precisamos nos livrar de nossos defeitos para corrigir nosso comportamento e vivermos nossas vidas felizes, serenas e sob controle. Assim que os defeitos são removidos, as qualidades ocupam seu lugar. Tudo isso será feito por nosso Poder Superior assim que demonstrarmos que estamos prontos e pedir a Ele que o faça. Os esforços serão nossos, mas os resultados virão de Deus.


ROGAMOS HUMILDEMENTE

A humildade é a chave para trabalharmos o Sétimo Passo. Logo que iniciamos o programa, muitos de nós não compreendiam bem o significado de humildade. Alguns pensam que humildade é sentir-se inferior a outras pessoas. Outros haviam aprendido que não deveriam agir de maneira muito autoconfiante ou falar sobre suas qualidades porque pareceria presunção e, portanto, não estariam sendo humildes. Alguns confundiam humildade com humilhação. Erroneamente pensamos que temos que servir de capachos para os outros, que temos que ser submissos e não nos impormos. Nossos defeitos de caráter nos fazem sentir sem esperança, desvalorizados, depressivos e ansiosos – em outras palavras, humilhados, mas isto não é humildade.

À medida que vamos progredindo no programa, aprendemos o que é humildade. A palavra humildade vem de húmus que significa solo, chão. Humildade é ter nossos pés plantados firmemente no chão, ter bons valores básicos e estar firmado neles. É termos uma visão clara da realidade, enxergando a verdade sobre nós mesmos. É um senso realista da posição de alguém em relação a Deus e às outras pessoas. Isso envolve a compreensão de que não somos melhores nem piores que ninguém. Quando somos humildes, não nos comparamos aos outros porque a comparação só nos faz sentir superiores ou inferiores. Isto pode fazer com que foquemos os outros e evitemos de olhar para nossos próprios defeitos de caráter.

Ser humilde é querer aprender estar aberto para uma nova maneira de viver. A decisão de pedir ajuda e utilizar o programa de Doze Passos para transformar nossas vidas são passos rumo à humildade. A humildade é composta por qualidades como honestidade, aceitação, a busca pelo bem e confiança.

Nosso trabalho nos primeiros Seis Passos nos trouxeram humildade e a ciência de nossa dependência de Deus, como O entendemos. Tentamos deixar de lado nossos próprios desejos e buscar o desejo de Deus para nossas vidas. Também nos conscientizamos de que podemos ter uma dependência doentia sobre uma ou mais pessoas. Sentimos como se não pudéssemos viver sem elas, que precisávamos delas para nos sentir completos ou seguros. É claro que precisamos das pessoas, mas não de maneira dependente e doentia. Compreendemos que grande parte de nosso crescimento dependia de compartilhamento com os outros e da construção de relacionamentos significativos e interdependentes.

O que ganhamos sendo humildes?

A humildade nos ajuda a transformar as falhas e infelicidades em sucesso e felicidade. Humildade nos permite a liberdade para compartilhar os detalhes de nossa estória pessoal para ajudarmos pessoas que estão sofrendo com problemas emocionais.


REMOVA NOSSAS FALHAS

Tivemos que nos esquivar da resistência do orgulho e pedir a um poder maior que nós mesmos para que removesse nossas falhas.

“Poder Superior, quero me entregar totalmente ao Senhor, com meus defeitos e qualidades. Rogo que o Senhor remova de mim cada um de meus defeitos de caráter que me privam de ser útil ao Senhor e ao próximo. Dá-me forças, para que eu realize o que o Senhor deseja.”3

3 Adaptado de Alcoólicos Anônimos (Serviço Mundial de Alcoólicos Anônimos, Reg.: New York, 1976), p. 76.

Se estivermos inteiramente prontos para termos nossas falhas removidas e acreditar que nosso Poder Superior irá removê-las, as qualidades de caráter que precisamos irão substituí-las.

Nem sempre as mudanças ocorrem de acordo com nosso tempo ou exatamente como planejamos. Se algo não for imediatamente removido, devemos compreender que temos que ser pacientes, e que, provavelmente, teremos que trabalhar um pouco mais para isso. Talvez não estejamos inteiramente prontos para nos livrar deste defeito de caráter em particular. Podemos ainda precisar deste defeito para aprendermos alguma coisa através dele. Podemos ter feito exigências ao nosso Poder Superior ao invés de pedirmos sua ajuda humildemente.

Conforme crescemos em humildade, adquirimos um novo entendimento de nosso relacionamento com Deus. Agora, nos Oitavo e Nono Passos, trabalharemos para melhorar nosso relacionamento com as outras pessoas.


                                            OITAVO PASSO

“Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado

                e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”


Os primeiros Sete Passos têm trazido um processo de mudança nas atitudes e ações egocêntricas fazendo-nos olhar para nós mesmos. Agora está na hora de reparar os danos cometidos no passado fazendo as reparações necessárias.

O Oitavo Passo nos ajuda a restaurar relacionamentos pessoais e nos tira de nosso isolamento. Com isto, podemos aceitar a responsabilidade por nosso passado para que possamos deixar a velha dor ir embora. Libertar o passado nos traz cura e nos permite viver em harmonia conosco mesmos e com os outros.


FIZEMOS UMA RELAÇÃO DE PESSOAS AS QUAIS PREJUDICAMOS

Quando trabalhamos os Quarto e Quinto Passos, revelamos algumas injustiças que havíamos cometido com outras pessoas. No Oitavo Passo, examinamos o inventário que fizemos no Quarto Passo para ver onde precisamos melhorar as relações com as pessoas em nossas vidas.

A partir de nosso inventário começamos a listar as pessoas as quais havíamos prejudicado. Olhando para trás, vemos onde falhamos. Revemos nossas vidas até onde for possível lembrarmos, focando quem prejudicamos e de que maneira fizemos isso. Fazemos isso por escrito para mostrar que estamos cumprindo este Passo seriamente. Nossa lista deve incluir membros da família, parentes, amigos, vizinhos, contatos públicos e pessoas associadas ao trabalho. Também podemos listar locais de trabalho, lojas, negócios ou outras instituições onde furtamos ou causamos danos.

O medo e o orgulho frequentemente nos fazem resistir a este passo e nos impede de fazermos uma lista completa. Se este for o caso, nós trabalhamos estes defeitos de caráter através do Sexto e Sétimo Passos. Fazemos o nosso melhor agora, compreendendo que conforme nossa conscientização e honestidade crescem, seremos capazes de colocar, em nossa lista, outros nomes que ainda não nos ocorreram.

Se nossa lista inclui quase todas as pessoas que conhecemos, temos que dar uma outra olhada nela. Alguns de nós podemos, na verdade, ter sido dominadores, agressivos, sarcásticos e, portanto, podemos ter magoado muitas pessoas. Por outro lado, nosso egocentrismo e tendência em achar que o mundo gira em torno de nós, nos faz incluir nomes desnecessários pois exageramos a importância de nosso pequenino mundo e realidade.

Na verdade, algumas das pessoas que listamos, provavelmente nem mesmo saberão do que estamos falando se tentarmos nos desculpar com elas. Entretanto, não usamos isto como desculpa para deixar qualquer nome fora da lista. Quando ficarmos na dúvida se escrevemos os nomes de todas as pessoas que achamos ter prejudicado, reavaliamos nossa lista com ajuda de uma pessoa objetiva quando chegar o momento de fazer as reparações.

Muitos de nós sabemos que a pessoa mais ferida fomos nós mesmos e temos que incluir nosso nome nesta lista. Podemos ter nos magoado mentindo para nós mesmos por coisa que estavam além de nosso controle ou por nos julgarmos com muita crueldade. Devemos nos aceitar e perdoar já que estamos prestes a aceitar e perdoar os outros.


PASSAMOS A DESEJAR

Muitos de nós reagimos com descrença, ira ou medo, assim que nos conscientizamos de que devemos reparações aos outros pelo que fizemos. O medo nos faz não querer reabrir velhas feridas e relembrar aos outros as nossas transgressões já que existe a chance de terem se esquecido disto. Nossos egos podem insistir que somos inocentes. Racionalizamos que se ferimos alguém, a culpa é da pessoa. Evitamos este tipo de pensamento para não ter que voltar a este Passo.

O Oitavo Passo é sobre quem magoamos e não sobre quem nos magoou. Se ao invés de olharmos para os nossos erros do passado ficarmos obcecados com a ideia de quem nos magoou, não nos recuperaremos. Nós não culpamos os outros mas, ao invés disto, assumimos a responsabilidade por nossas próprias vidas e ações. Do mesmo modo, não racionalizamos que nossos erros do passado deveriam ser desculpados porque éramos doentes. Somente assumindo a responsabilidade e fazendo reparações seremos capazes de deixar o passado para trás.

Através da calma, da cuidadosa reflexão sobre todos os nossos relacionamentos pessoais, obteremos discernimento sobre nós mesmos e nos conscientizaremos de nossos defeitos de caráter. Veremos então o quanto precisamos mudar.

À medida que nosso entendimento cresce, vemos o quanto o processo de fazer reparações não é tanto por causa dos outros mas sim por nós. Não conseguiremos modificar efetivamente nosso comportamento até que olhemos para nosso passado e consideremos o fato de fazer restituições onde for necessário. Se for para transformar nossa vida e ficarmos curados, temos que ter o desejo de limpar tantos escombros do passado quanto pudermos. Se quisermos amor, relacionamentos saudáveis, então temos que começar a praticar as habilidades que nos trarão isso.

Uma vez que já temos nossa lista, damos uma olhada para ver se queremos fazer reparação a alguém que conste ali. Normalmente, não queremos. Se houverem pessoas na lista com as quais sentimos que conseguiremos fazer reparações sinceras, não nos recusaremos e seguiremos para o Nono Passo.

Com relação àquelas pessoas que ainda não estamos prontos para enfrentar, continuamos nos esforçando para obter este desejo pedindo ajuda ao Poder Superior, conversando sobre nossos sentimentos a respeito desta situação com os outros e continuando a trabalhar o programa.

Para que tenhamos sucesso neste Passo, temos que querer modificar nosso comportamento. As verdadeiras emendas são feitas pela mudança de comportamento com relação aos outros. Se não aceitarmos e nem perdoarmos os outros, como eles são, não faremos reparações com dignidade, respeito próprio e humildade.

No Nono Passo vamos até as pessoas para nos retratar, portanto, neste Passo precisamos em primeiro lugar perdoá-los. Nosso desejo aumenta conforme compreendemos que ninguém precisa concordar com nossos pontos de vista. Assim que nos tornamos mais tolerantes e receptivos e, portanto, menos rígidos e arbitrários nosso desejo de fazermos emendas crescerá.

Neste processo de pensar a respeito das reparações poderemos reabrir feridas emocionais. Isto é bom, pois se estes sentimentos permanecerem profundamente encobertos em nossas mentes, irão inibir nossa recuperação. É importante que abandonemos estas memórias dolorosas e as circunstancias que as cercam. Assumindo a responsabilidade, não continuaremos a culpar e punir os outros. Fazendo as reparações, recuperaremos nossa integridade e valor próprio.

No Oitavo Passo, enfrentamos a verdade sobre o nosso comportamento. O desejo de corrigir nossos erros aumenta e nos convencemos de que nosso crescimento e serenidade dependem de perdoarmos os outros e da liberação das velhas dores. Podemos agora, passar para o Nono Passo e começar a fazer as reparações.


                                                   NONO PASSO

              “Fizemos reparações a tais pessoas, sempre que possível,

             salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.”


No Nono Passo, continuamos a assumir a responsabilidade por nossas ações do passado. Devemos ir até as pessoas que magoamos e tentar corrigir nossos erros. Existe uma boa razão para este passo não vir antes, na sequência do programa. Uma vez que nosso propósito é não mais causar dor e melhorar nossos relacionamentos, devemos ter mudado suficientemente para fazermos reparações com sucesso. Este passo não sugere que nos humilhemos, mas é necessário que nos livremos da culpa. Através disto, nós também nos perdoaremos por nosso passado para que possamos viver uma vida melhor hoje.


FAZENDO REPARAÇÔES

Fazer reparações significa mudar ou melhorar algo ou corrigir um erro. Fazer reparações não é simplesmente pedir perdão, embora isso faça parte do processo. Fazemos reparações mudando nosso comportamento. Começamos a agir de maneira diferenciada daquelas em nossas vidas. Ao fazer reparações, tentamos ser humildes, educados, discretos e sensíveis, deste modo não nos tornaremos num capacho. Às vezes, para fazermos as reparações, precisamos de tempo ou dinheiro, não somente palavras.

Se nosso próprio nome estiver na lista do oitavo passo, teremos que nos reparar conosco mesmos antes de seguir em frente. Já demos um grande passo vindo para o programa, mas temos que fazer reparações conosco escolhendo um modelo de vida saudável.

Conforme trabalhamos os passos, crescemos em auto respeito e autoestima. Começamos a nos aceitar e a desenvolver a atitude correta para fazer reparações com os outros. Não adiamos nossas reparações. Quando já tivermos trabalhado do Primeiro ao Oitavo Passo sabemos que estamos prontos e por isso, é hora de agir. Se houver quaisquer dúvidas em nossas mentes, por exemplo, se fizermos a reparação com aquela pessoa, pode causar dor ou coisa assim, devemos consultar uma pessoa que nos dê uma opinião objetiva, talvez um padrinho ou madrinha ou a pessoa com a qual tenhamos feito o Quinto Passo. Não adiaremos nossa tarefa a menos que haja uma razão válida para isto.

Não devemos fazer reparações pelo que achamos ou sentimos com relação a outras pessoas. Isto não fere a ninguém, só a nós mesmos, a menos que tenhamos agido de acordo com que o pensamos e sentimos, neste caso devemos desculpas por isso. Por outro lado, não hesitaremos em fazer reparações por coisas que achamos não ter importância para as pessoas. Se sentirmos a necessidade de fazer reparações e estivermos certos de que isto não magoará alguém, deveremos fazê-las para nossa própria paz de espírito.

Este passo não deve ser feito às pressas. Ele merece reflexão e planejamento apropriados. Não importa por onde começaremos. Poderemos fazer as reparações mais difíceis ou as reparações mais fáceis primeiro. Precisamos planejar onde e quando isto acontecerá para evitar interrupções e o que diremos para não culpá-las. O melhor é fazermos uma reparação simples, evitando excessos de explicações que vão além de declararmos o que fizemos que as magoou e como pretendemos reparar isto. É sempre muito bom separar um tempo para uma oração e meditação antes de executar essa tarefa, para assegurar o resultado correto para cada um.

Fazemos reparações sem esperar recebermos o mesmo em troca por parte da outra pessoa. Temos que correr o risco de que nossas reparações possam não ser aceitas. Mas mesmo quando isso acontecer, sentiremos o benefício de nossa tentativa. Sabemos que fizemos o que podíamos e não há mais necessidade de sentirmos culpa. Entendemos que este processo de reparação serve mais para fazer com que nos perdoemos do que com que os outros nos perdoem. Na maioria dos casos, entretanto, nossas reparações são aceitas e os relacionamentos são reforçados pois a pessoa vê a consistência de nosso novo comportamento.

Não nos desculpamos por termos feito fofoca sobre a pessoa, se houver uma chance de que ela não saiba disto. Isto só traria mais mágoa. O que podemos fazer, é nos reparar com a pessoa com quem fizemos a fofoca admitindo nosso erro por termos agido daquela maneira. Isto constitui em estarmos fazendo reparação indiretamente com a pessoa sobre quem fizemos a fofoca e reparação direta conosco mesmos pois estaremos praticando a honestidade e a humildade.

Existem alguns erros pelos quais talvez nunca consigamos ser completamente capazes de fazer reparações. Se soubermos, honestamente, que os corrigiríamos se pudéssemos, então podemos considerar como se o tivéssemos feito. Às vezes não podemos entrar em contato com a pessoa pessoalmente porque ela mora longe demais. Neste caso, fazemos nossa reparação escrevendo uma carta, enviando um e-mail, sendo honestos e pedindo desculpas. Podemos ainda fazer isto através de um telefonema. Se alguém de sua lista não estiver mais vivo ou se contatá-lo pode causar mais danos do que já causou, pode-se fazê-lo através da pessoa com que fez o Quinto Passo. Podemos ir ao túmulo da pessoa e fazer nossas reparações. Podemos tratar, alternadamente, outras pessoas da maneira que a teríamos tratado se tivéssemos tido a oportunidade de fazer a reparação.

Uma vez que tenhamos trabalhado o programa completa e honestamente até o Nono Passo, começamos a perceber novas atitudes e sentimentos em nós.

1- Percebemos uma nova liberdade e felicidade

2- Não nos arrependemos do passado ou desejamos fechar a porta sobre ele.

3- Compreendemos o sentido da palavra serenidade e conhecemos a paz de espírito.

4- Não importa o quanto havíamos regredido na vida, nós vemos o quanto nossa experiência pode ser benéfica para outros.

5- Os sentimentos de inutilidade e de auto piedade diminuem.

6- Nos preocupamos menos conosco e nos interessamos mais pelos outros.

7- O egoísmo vai embora naturalmente.

8- Modificamos completamente nossas atitudes e a nossa maneira de ver a vida.

9- Nosso relacionamento com as outras pessoas melhora.

10- Sabemos lidar com situações que antes nos deixavam perplexos.

11- Adquirimos um sentimento de segurança interior.

12- Compreendemos que Deus está fazendo por nós o que não pudemos fazer por conta própria.4

4Adaptação de Alcoólicos Anônimos (New York; Serviços Mundiais de Alcoólicos Anônimos,1976) p. 83-84

Estas declarações formam as Doze Promessas de Emocionais Anônimos. Elas podem parecer simbólicas, exageradas ou extravagantes a princípio, mas são realmente possíveis. As vemos transformarem-se em realidade nas pessoas que nos cercam em nossas reuniões. Algumas delas são realizadas rapidamente, outras mais vagarosamente, mas todas desenvolvem-se naturalmente como resultado de trabalhar o programa de Emocionais Anônimos honestamente.

Quando percebemos os benefícios de praticar este programa, queremos manter nosso crescimento. Por isso seguimos para o Décimo, Décimo Primeiro e Décimo Segundo Passos.


                                          DÉCIMO PASSO

Continuamos fazendo nosso inventário pessoal e quando estávamos errados, o admitíamos prontamente.


Nossa vida vai sendo transformada à medida que nossa autoconsciência cresce. A prática diária dos passos restantes nos ajudará a reforçar esta nova maneira de viver. Embora já tenhamos crescido em vários aspectos até aqui, nosso progresso rumo a maturidade e serenidade duradouras requer que pratiquemos os princípios dos Doze Passos. Pode ser que nunca cumpramos completamente os Passos de Um a Nove, e retornemos a eles tantas vezes quantas forem necessárias para continuarmos a aplicá-los em nossas vidas diárias. Descobrimos que o crescimento emocional e espiritual é um processo para a vida toda.

Fazendo o inventário no Quarto Passo, lidamos honestamente com nosso passado para que pudéssemos nos libertar dele. Este inventário do Décimo Passo nos ajuda a lidar com o presente conforme lidamos com a vida diária. Agora que estamos conscientes de nossas imperfeições humanas, compreendemos que podemos facilmente voltar a cair em nossas velhas maneiras de pensar e agir. Com este inventário, revemos nosso dia, corrigimos nossos erros, aceitamos a nós mesmos e aos outros e planejamos maneiras de fazer com que o amanhã seja melhor. Precisamos ser pacientes e persistentes ao fazer isto porque nosso objetivo é o progresso, não a perfeição.

Cada um de nós decide a melhor maneira de fazer nosso inventário. Alguns fazem sua revisão do dia anterior pela manhã; outros fazem a revisão do dia logo pela noite. Alguns checam seu inventário durante o dia quando seus sentimentos dizem que é necessário fazê-lo. Se estivermos magoados, precisamos determinar o que está causando nossa dor. Quando vemos algum conflito em nossas vidas, procuramos o defeito de caráter que está causando o problema. Depois teremos que escolher entre suspender aquele defeito de caráter e sentimento de mágoa ou substituí-lo pelo caráter oposto para resolver o conflito.

Ao fazermos nosso inventário prestamos atenção para avaliar se estamos traçando objetivos realísticos para nós mesmos.

— Estamos reconhecendo nossas habilidades e nossa limitação humana?

— Estamos satisfeitos sobre onde estamos, o que somos ou o que temos?

— Permitimos que os outros sejam seres humanos também?

— Estamos esperando demais das outras pessoas?

— Continuamos racionalizando nossos pensamentos e sentimentos como desculpa para não aceitar a realidade?

— Estamos utilizando o que aprendemos no programa?

— Aprendemos fazer planos sem planejar os resultados?

— Estamos insistindo em estar no controle?

Ao revisarmos nosso dia, procuramos pelas coisas positivas que fizemos e o sucesso que alcançamos. Fazemos um balanço do que o Poder Superior tem dado nos e aproveitamos a oportunidade para agradecer por isso. Nos aceitamos a cada dia, quer tenhamos ido muito bem ou escorregado em nossos velhos hábitos. Tentamos não ficar desencorajados se ficamos aquém de nossos ideais. Estas disciplinas fazem parte de nosso novo estilo de vida, e não podemos esperar cumpri-las perfeitamente todas as vezes. Através da prática contínua é que ganharemos confiança em nossa nova maneira de viver.

Continuamos a observar nosso egocentrismo e egoísmo que causam nossos defeitos de caráter. Quando este é evidente, pedimos ao nosso Poder Superior para nos ajudar a ter o desejo de que sejam removidos. Evitamos nos apegar em sentimentos negativos. Não podemos propiciar ira, ressentimento ou auto piedade. Evitamos ficar maus humorados ou muito tempo em silêncio, o que pode ser originado por orgulho ou vingança. Qualquer um destes comportamentos pode nos tirar do equilíbrio e induzir-nos a deslizes emocionais. Descobrimos que não faz sentido ficarmos irados ou ressentidos com pessoas que também estão sofrendo as dores inerentes à humanidade. Nos sentimos mais felizes quando assumimos a responsabilidade diária por nossas ações e não caímos nos velhos hábitos de culpar os outros.

Quando sentimos ter falhado, admitimos isto prontamente para nós mesmos, e se necessário, para os outros. Perdoamos nos e perdoamos aos outros. Se tentarmos e falharmos, ao menos teremos tentado. É através de nossas falhas que aprendemos mais sobre nós mesmos. Aprendemos a não nos levar tão a sério. Somos beneficiados com um senso de humor. Descobrimos que podemos rir de nós mesmos.

Às vezes achamos necessário fazer um inventário mais detalhado uma ou duas vezes ao ano. Considerando que um longo período de tempo nos permite ver a ocorrência periódica de situações que precisam de nossa atenção e para perceber nosso progresso ao identificar as mudanças positivas que temos feito. Podemos também fazer um inventário sobre uma pessoa específica ou uma área de nossas vidas que esteja causando dificuldades. Pode ser um membro da família, nosso trabalho ou nossa situação financeira. Nos focando somente em uma área, podemos frequentemente ver as mudanças que precisam ser feitas, quais as reparações necessárias e um novo curso de ação que trará melhores resultados para todos os envolvidos.

Enquanto fazemos nosso inventário, pode ser necessário discutir algumas coisas com alguém a fim de obter maior esclarecimento e compreensão da situação. Se sentirmos necessidade, faremos isto tão logo seja possível. Quando reconhecemos velhos hábitos e pensamentos, tentamos parar e pedir ao nosso Poder Superior para que os remova. Se sentirmos que magoamos alguém, fazemos reparações rápida e honestamente. Adiar qualquer aspecto de nosso inventário pode causar um deslize emocional.

Através deste processo de continua auto avaliação, mantemos nossa honestidade e humildade, nos focamos em viver um dia de cada vez e continuamos a progredir em nossa recuperação. Compreendemos que a serenidade que chega até nós, vem pela graça do Poder Superior. No Décimo Primeiro Passo desenvolveremos nossa confiança em nosso Poder Superior.


                              DÉCIMO PRIMEIRO PASSO

Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar esta vontade.


Os Doze Passos nos ajudam a desenvolver uma parceria com Deus, como nós O entendemos, não importa qual imagem ou conceito escolhemos. Nos passos iniciais nós exploramos nosso lado espiritual e estabelecemos contato com um poder maior que nós mesmos. Desenvolvemos uma compreensão pessoal deste poder à medida que desistimos de nossa vontade própria e nos permitimos ser guiados e fortalecidos por nosso Poder Superior. O Décimo Primeiro Passo direciona nossa necessidade para que mantenhamos e aprofundemos este relacionamento através da oração e da meditação.


ORAÇÃO

Alguns de nós nos sentimos amparados com a ideia da oração, enquanto outros não. Alguns de nós oramos mecanicamente por causa do medo, em momentos de emergência ou por obrigação. Enquanto alguns de nós duvida que Deus esteja muito interessado em nos ajudar, outros ficam irados com Ele e O culpam por nossas doenças e pelo caos em nossas vidas. Às vezes tentamos barganhar com Deus. Usamos a oração com o objetivo de conseguir algo que desejamos que Ele faça. Às vezes nossa oração é repleta de rancor e aflição como se, com isso, pudéssemos atrair pena e o favor Divinos.

O Décimo Primeiro Passo sugere que mudemos nossa maneira de orar e oremos por direção Divina e pela capacidade de segui-la. Orar é conversar com nosso Poder Superior. É ser honesto com relação a como nos sentimos verdadeiramente e pedir ajuda. Conversamos com nosso Poder Superior como se estivéssemos conversando com um amigo, desta forma encontraremos amor e aceitação. Conforme estabelecemos o hábito de orar diariamente, compreendemos que o benefício da oração é entrar mais em contato conosco e também com nosso Poder Superior. Melhor do que modificarmos Deus, é sermos modificados pela oração. Ela nos abre para a humildade, paciência e coragem para enfrentar a vida mesmo quando a vida é incerta e dolorosa.

Muitos preferem pedir direção ao seu Poder Superior no início de cada dia e expressar sua gratidão pela ajuda recebida no final do dia. Deste modo fica claro para nós quem é o encarregado de nossas vidas e o que precisamos para continuar. Se buscarmos sinceramente à vontade de nosso Poder Superior para nossas vidas e tentarmos realizá-las com o melhor de nossas habilidades, estaremos na trilha certa. Se nos sentirmos incapazes de realizá-las, o Deus de nossa compreensão é uma fonte viva de apoio e direção sempre que precisar. Tudo o que temos a fazer é pedir.


MEDITAÇÃO

Inicialmente, muitos de nós não tínhamos a mínima ideia do que é meditação. De muitas formas, nossas experiências passadas em focar a dor e a negatividade eram semelhantes a uma meditação. Muitos de nós passávamos dias ou semanas concentrados intensamente em tudo o que havia de errado conosco, em situações que diziam respeito a nós ou com outras pessoas. Tudo o que temos a fazer agora é focar nossa atenção fervorosamente somente nos aspectos positivos de nossas vidas.

Alguns de nós conhecemos meditação, mas nunca a praticamos. Alguns não têm ideia como realizá-la. As livrarias e bibliotecas têm muitos livros, sobre isso, que podem ser de grande utilidade. Algumas pessoas fazem aulas de técnicas de meditação ou vão até um padre ou pastor, um rabino ou outro conselheiro espiritual para aprender sobre as tradições da meditação em alguma religião em particular. Nas reuniões podemos aprender com os outros, compartilhar seus métodos e experiências de meditação.

A meditação pode ser tão simples quanto deixar nossas mentes passearem por um lugar agradável. Pode ser pela natureza, respirando ar fresco e sentindo uma sensação de bem-estar. É deixar de pensar em nossos problemas e coisas negativas e ficar em paz conosco mesmos.

A meditação aquieta nossos pensamentos agitados e nos permite compreender a orientação que precisamos. Ela é focada na concentração. Ela pode ser praticada de diversas maneiras. Ela pode ser um processo para clarear nossas mentes de todas as distrações assim podemos contemplar verdades espirituais como o amor, a beleza da natureza, gratidão, a unidade do universo, Deus ou qualquer coisa positiva. Muitos usam frases ou afirmações positivas como foco de meditação.

Os Lemas e os Só Por Hoje encontrados na 1ª parte deste livro, também podem servir a este propósito. Alguns de nós usamos a imaginação de forma positiva incorporando imagens especificas de cura na meditação, o que ajuda no alívio da dor e na visão de novas formas de viver no mundo hoje. Alguns usam a meditação como uma forma de relaxamento da tensão em seus corpos o que consequentemente reduz o estresse mental e emocional. Ficamos renovados mental e fisicamente. Qualquer método que usemos, o resultado será a melhora da saúde física, emocional e espiritual que nos permite enfrentar melhor as nossas responsabilidades diárias.

Podemos combinar meditação e oração em um só exercício. Em um lugar tranquilo começamos a relaxar como se estivéssemos contemplando um poema ou oração significativa como foco de nossa meditação. Alguns de nós usamos orações de nossa religião tradicional ou outra forma literária espiritual e as acham muito efetivas para meditar. Muitos usam a Oração da Serenidade que resume de forma simples o alvo do programa Doze Passos.

“Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar,

coragem para mudar aquelas que eu posso, e sabedoria para distinguir uma das outras”.

Conforme praticamos o Décimo Primeiro Passo, nossa habilidade em meditar e orar cresce. À medida que reservamos um tempo para orar e meditar todos os dias, alcançamos um contato mais próximo com nosso Poder Superior. As recompensas da oração e da meditação são equilíbrio emocional e a consciência de ser parte de algo.


O DESEJO DE DEUS

Alguns de nós temem que Deus (como nós o entendemos) irá nos conduzir a um lugar aonde não queremos ir. Hesitamos em entregar nosso destino para Alguém ou Algo que não vemos. Tememos poder perder tudo que nos é valioso se desistirmos do controle. Descobrimos, entretanto, que o desejo de Deus para nós não significa necessariamente uma mudança radical em nossas vidas. O desejo Dele normalmente envolve cuidados com nossas responsabilidades cotidianas que fazem parte de nossa vida diária, para que possamos sentir um bem-estar. Ainda teremos nosso livre arbítrio e poderemos escolher nosso curso de ação. Experiências mostram que temos mais serenidade se fizermos o nosso melhor para alinharmos nosso desejo ao de nosso Poder Superior.

Assim que pedimos direção ao nosso Poder Superior, começamos a fazer melhores escolhas. Se suspeitarmos que estamos racionalizando ou interpretando o que nossos pensamentos desejam como direção divina, devemos consultar alguém com mais experiência e entendimento nestes assuntos. Adquirimos confiança em nossas decisões porque recebemos um apoio adicional do programa que estamos trabalhando e dos membros de Emocionais Anônimos.

Descobrimos que somente por orar ou meditar sobre o que não podemos controlar nos traz calma e nos abre novas maneiras de observar um problema. Uma vez que, vemos alguma coisa que nos parece ser certa e o desejo de Deus (como nós O entendemos) para nós, devemos agir. Se não nos parecer ser uma ação produtiva, nós a aceitamos, entregamos a situação aos cuidados de nosso Poder Superior e aguardamos pacientemente um retorno.

Podemos experimentar contrariedades, crises e dúvidas sobre o desejo de Deus para nós. Às vezes é difícil orar ou meditar, mesmo que estejamos habituados a fazê-lo. Percebemos que perdemos nossa conexão espiritual porque nos afastamos de nosso Poder Superior. Podemos escorregar para a nossa autossuficiência, orgulho e ego novamente lutando pelo controle. Durante esses momentos de dificuldade, podemos conseguir conforto e esperança pedindo a um amigo para orar conosco ou por nós. Se persistirmos na prática regular da oração e meditação e nos aceitar como somos, com o tempo a habilidade para orar e meditar retornarão.


FORÇA PARA A REALIZAÇÃO

À medida que melhoramos nosso contato consciente com Deus (como O entendemos), conseguimos enxergar melhor o desejo de Deus para nós e nos é dada a força necessária para realizá-lo. Descobrimos que a oração e a meditação nos auxiliam a lidar mais facilmente com situações difíceis. Permitimos que nossos desejos sejam redirecionados e, ao fazer isto, experimentamos a coragem e a força de agir de acordo com esta nova direção, que é o desejo de Deus.

Nossa parceria com Deus (como O entendemos) torna-se um alicerce sólido que dá apoio às nossas vidas diárias. A prática espiritual que desenvolvemos neste Passo nos direciona em nossa nova maneira de viver. Com o conhecimento e as ferramentas adquiridas em nosso crescimento espiritual, estamos prontos para agir de uma forma mais positiva e começar a ajudar as pessoas no Décimo Segundo Passo.


                                        DÉCIMO SEGUNDO PASSO

“Tendo experimentado um resultado espiritual como resultado destes passos,

        procuramos transmitir esta mensagem e praticar seus princípios

                                    em todas as nossas atividades”


Se tivermos aplicado todos os Passos anteriores, estaremos experimentando profundas mudanças. Através deste programa nos tornamos pessoas novas e melhores. Por desejar, o risco de nos auto examinarmos, estarmos abertos e sermos honestos com os outros e nos rendermos ao nosso Poder Superior, crescemos pessoalmente e alcançamos o nível da recuperação. Não nos sentimos mais sozinhos. Estamos conectados a uma fonte espiritual de força e serenidade. Através deste despertar espiritual nossa sanidade está sendo restaurada.


DESPERTAR ESPIRITUAL

Após trabalharmos os primeiros onze Passos recebemos o dom do despertar espiritual. Isto acontece à medida que tomamos consciência de nossa natureza espiritual e a desenvolvemos. Cada um de nós experimenta isto de diferentes formas, pois as jornadas pelos Passos são diferentes de um para outro. Algumas pessoas experimentam um repentino e dramático despertar espiritual. Eles são profundamente inspirados com a certeza de que Deus existe (como O entendemos) e sentem profunda gratidão pela nova fé encontrada.

Para a maioria, o esclarecimento pessoal é um processo mais sutil que realiza as mudanças conforme os Passos são aplicados. Um despertar espiritual pode ser a conscientização, a aceitação do quanto nosso poder é realmente pequeno, enquanto que ao mesmo tempo podemos perceber o sentimento de bem-estar, respeito próprio, e autoestima. Esta pode ser a compreensão de que não importa o quanto tenhamos nos comportado mediocremente no passado, nós somos pessoas valorosas. Pode ser o reconhecimento de que as pessoas estão aí, não para nos ameaçar, mas para nos apoiar. Pode ser a renovação da confiança de que temos um Poder Superior que nos ajuda. Isto pode incluir um sentimento de estar conectado com a vida, de ser o todo ao invés de estar separado e alienado. Pode ser a observação de que as promessas do programa estão se tornando realidade ou um sentimento de gratidão por tudo que recebemos.

Seja qual for a maneira, nosso despertar contém uma mudança de atitude característica. Nos tornamos menos obcecados pelos nossos problemas e chateações e mais aberto às outras pessoas. Se um dia tivemos comportamento adicto ou compulsivo, eles diminuíram muito ou desapareceram completamente. Temos o desejo de participar da vida e queremos contribuir com nossos talentos onde quer que possamos fazer o bem. Ficamos felizes em compartilhar com os outros, aquilo que aprendemos.


LEVANDO A MENSAGEM

Aprendemos que compartilhar nosso progresso e encorajar outras pessoas nos traz mais compreensão e crescimento. Um paradoxo do programa é que para manter o que aprendemos guardados em nós, precisamos passar o aprendizado a diante. Tendo alcançado algum grau de recuperação devido aos passos trabalhados, podemos alcançar outras pessoas e partilhar o que aprendemos. Partilhamos nossas estórias — como costumávamos ser, o que aconteceu ao trabalharmos os passos e como mudamos.

Este compartilhamento nos permite enxergar nossas experiências sob um novo prisma, e, consequentemente, aprendemos mais sobre nós mesmos. Através do compartilhamento podemos ver mais claramente todas as mudanças que fizemos e percebemos outras maneiras de aplicar estes princípios em nossas vidas. Isto reforça nosso compromisso de usar o programa. Partilhamos nossa experiência, força e esperança com as pessoas para dar a elas a oportunidade de mudar suas vidas através deste meio de recuperação.

Alguns de nós, em nosso entusiasmo e animação por nossa recuperação, tentamos levar todos os que conhecemos para o Emocionais Anônimos. Conhecemos muitas pessoas em nossas vidas que achamos que necessitam mudar e deveriam experimentar este programa. Estes geralmente resistem em se juntar a nós ou ficam ressentidos com a sugestão. Então, nos sentimos feridos e mal compreendidos.

As pessoas geralmente não são receptivas quando tentamos pregar o programa, e, conforme ganhamos experiência em passar a mensagem de Emocionais Anônimos, compreendemos o quanto arrogante é dizermos às pessoas que elas precisam do programa. É milhões de vezes melhor para nós, partilharmos o Programa com os que o desejam do que com aqueles que nós achamos que precisam dele.

Levamos a mensagem, não para salvar outra pessoa, mas sim porque isto faz parte de nossa recuperação. Nós levamos somente nossas experiências e tentamos não controlar os resultados. Com isto em mente, sentimo-nos menos desapontados quando outros não aceitam nossa mensagem. Precisamos lembrar que os esforços são nossos, mas os resultados vêm de Deus (como O entendemos).

Descobrimos muitas maneiras de trabalhar o Décimo Segundo Passo. Uma forma muito importante é através do exemplo. Demonstramos que este Programa funciona através de nossa maneira de viver. As pessoas veem como estamos recuperados e querem saber o que estamos fazendo. Alguns membros investem tempo e energia em atividades de serviço que beneficiam seus grupos e o Emocionais Anônimos como um todo. Alguns têm talento para falar sobre o Programa ou partilhar estórias. Outros são menos visíveis em seus esforços, mais muito valiosos para o funcionamento de seu grupo. Todos têm uma maneira de contribuir. Qualquer pessoa pode começar a trabalhar esta parte do Décimo Segundo Passo, aos poucos, bem no início do programa e então, experimentar a recompensa de ser envolvido pela comunidade de Emocionais Anônimos.

Algumas maneiras de levarmos a mensagem:

1. Assistindo às reuniões e compartilhando com as pessoas.

2. Ajudando os recém-chegados a se sentirem bem-vindos antes e após as reuniões.

3. Arrumando a sala para a reunião e limpando-a depois.

4. Usando um tempo para ouvir a outra pessoa por telefone ou outro meio de comunicação.

5. Assumindo a responsabilidade da coleta dos donativos do grupo, pedir a literatura ou pagar as contas do grupo.

6. Ajudar os outros a descobrirem uma melhor forma de entender e trabalhar os Doze Passos.

7. Fazendo contribuições pessoais para assegurar que o grupo, o intergrupo e o Centro de Serviço Internacional continuem a disponibilizar os serviços necessários

8. Iniciando e dando apoio a novos grupos que estejam com dificuldades.

9. Escrevendo artigos para a Revista New Message.

10. Promovendo reuniões de informação pública, enviando correspondências, ou distribuindo panfletos para que outras pessoas saibam da existência do Emocionais Anônimos.

11. Falando sobre o Programa Doze Passos.

12. Auxiliando os comitês, a intergrupal ou o Serviço Internacional do Conselho de Curadores.


PRATIQUE ESTES PRINCIPIOS

Trabalhando estes Passos, estamos integrando muitos novos princípios em nossas vidas. Alguns deles são aceitação, honestidade, receptividade, voluntariedade, paciência, humildade, compaixão, coragem, abnegação e espiritualidade. Na verdade, nenhum de nós pode dominar estes princípios perfeitamente, mas eles nos dão ideias para continuarmos nos empenhando. Após estarmos no Programa por algum tempo, estes princípios tornam-se bem naturais para nós.

Cada um de nós cria seu próprio plano diário para a prática dos Doze Passos. Precisamos continuar usando todo o programa e não só escolher os Passos mais fáceis. Se evitarmos a parte espiritual do Programa ou se pularmos passos que nos pareçam temerosos ou difíceis demais, não estaremos trabalhando todo o Programa. Quando este for o caso, o Programa não funcionará e provavelmente não continuaremos nossa recuperação. Este Programa Doze Passos só funciona quando decidimos cumpri-lo.

Se formos complacentes com o uso do Programa, descobriremos que nossos velhos pensamentos atitudes e comportamentos retornarão. Parece que nossa doença, como o alcoolismo ou qualquer outra, só foi suspensa e não curada. Se não fizermos uso do que aprendemos, perceberemos deslizes emocionais.

Temos que usar os Princípios do Programa diligentemente enquanto quisermos a recuperação. Quando passamos por um deslize — e muitos de nós passamos por isso —, devemos agir trazendo nosso programa em foco novamente. Procuramos qual parte do programa temos deixado de executar ou que não estejamos executando muito bem.

Usamos as Ferramentas do Programa: reuniões, telefonemas, lemas, os Só Por Hoje, literatura de Emocionais Anônimos, passos, inventários, oração e meditação, para retornar à Prática dos Princípios. Mais uma vez presenciamos nossa recuperação. Nossa aptidão emocional e espiritual nos permite encontrar os desafios da vida de maneira apropriada. Somos capazes de transformar desafios em oportunidades quando demonstramos nossa fé em nosso Poder Superior e fé neste Programa Doze Passos.


EM TODAS AS NOSSAS ATIVIDADES

Este é um Programa que apresenta uma nova maneira de viver. Nós não simplesmente falamos sobre ele numa reunião semanal. Este é um Programa para se viver bem vinte e quatro horas por dia aonde quer que estejamos. Por estarmos nos modificando como um resultado destes Doze Passos, percebemos nos utilizando os princípios deste Programa em todos os aspectos de nossas vidas. Somos mais cuidadosos, honestos e temos mais aceitação com as outras pessoas em nossas vidas, não somente com as pessoas dos Emocionais Anônimos.

À medida que recuperamos nossa saúde emocional e nossa sanidade é restaurada, os problemas em nossas casas e com nossas famílias são frequentemente reduzidos. Aplicamos nossos novos princípios em nossas vidas sociais e melhoramos muito nossos relacionamentos. Descobrimos que agir com base no programa Doze Passos nos negócios ou em nossas vidas profissionais nos torna melhores empreendedores ou melhores empregados. Somos mais equilibrados nas questões financeiras, nem aflitos, nem descuidados.

Os princípios de Emocionais Anônimos tornam-se um guia para nossos pensamentos, desta forma nossa saúde mental melhora. Somos mais cuidadosos com nossas necessidades físicas e emocionais. Nós agora nos sentimos seguros em saber que temos à nossa disposição uma fonte espiritual pessoal que é nosso Poder Superior e temos um conceito de Deus (como O entendemos) que funciona para nós.

Muitos de nós escolhe continuar assistindo às reuniões, embora tenhamos uma vida muito melhor do que a que tínhamos antes. A irmandade, a longo prazo, nos ajuda a manter o que aprendemos e nos ajuda a continuar nosso crescimento. Lembramos onde estávamos e o que éramos antes do Programa. Recebemos um grande presente de Deus. Continuamos a servir aos outros no Emocionais Anônimos como uma expressão de nossa gratidão pelo que recebemos. Lembramos que alguém esteve lá para nos dar apoio quando chegamos aos Emocionais Anônimos e queremos nos assegurar de que o programa estará à disposição a qualquer pessoa que precise dele.


ATENÇÃO

Esse é um material de estudo sem fins econômicos, não poderá ser comercializado.

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